Em tempos de pandemia, pequenos produtores rurais gaúchos adotam estratégias para venda direta ao consumidor.

Responsável por um terço dos consumidores de todo o Rio Grande do Sul, a Região Metropolitana de Porto Alegre tem sido cenário para diversas mudanças nas relações de mercado entre agricultores e consumidores, por causa da epidemia de coronavírus.A cada dia, associações, cooperativas e produtores têm usado as redes sociais para divulgarem contatos e garantirem o abastecimento das famílias sem que elas tenham que sair de suas casas.

Inspiradas nesse modelo, a Seapdr (Secretaria da AgriculturaPecuária e Desenvolvimento Rural) montou uma estratégia para as famílias assessoradas pela Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) disponibilizarem seus contatos para os consumidores fazerem pedidos. Com isso, cria-se alternativa de escoamento da produção no Estado.

É o caso de cinco agricultores de Sapiranga (Vale do Sinos). Eles criaram um grupo no aplicativo WhatsApp que reúne mais de 100 participantes. Confore o extensionista da Emater Mateus Mello, após o primeiro caso identificado de Covid- 19, em que o prefeito passou de um decreto de estado de emergência para o de calamidade pública, a feira local teve que ser fechada e foi aí que os agricultores propuseram a venda direta.

A produtora Angela Dias Stumpf propôs à sua cunhada, que entrega laticínios, para entregar com ela os produtos a domicílio em função do coronavírus. Ela sugeriu outra produtora para integrar um grupo de WhatsApp e, em dois dias, já eram mais de 100 integrantes.

Há cinco fornecedores no grupo, e os outros são clientes que receberam suas encomendas fresquinhas na sexta-feira passada. “O problema, ou melhor, a solução é que as verduras acabaram e tivemos que ir incluindo os produtos dos nossos vizinhos”, explica.

Ela conta que, apesar da preocupação com a logística de entrega, ela e seus colegas já recebem elogios e estão muito felizes por poderem fazer com que o alimento chegue aos clientes que não querem sair de casa.

A produtora comenta que a Emater tem ajudado muito, sugerindo outros produtores que têm potencial de fornecimento para se integrarem ao grupo, além de dar suporte com orientações para diminuir o risco de contágio no manuseio e transporte da produção.

Outro caso é da produtora Mara Konrad, que já fazia entrega e agora registra a ampliação de quase o dobro de clientes querendo produtos, porque as famílias estão ficando mais em casa e precisam preparando os alimentos.

Mello ressalta que a Emater, em função da Covid-19, desde o primeiro momento orienta os produtores para os cuidados relativos à biossegurança que devem ser observados com os perecíveis em todo o processo de logística. Ainda repassam os decretos relativos às medidas de combate ao coronavírus e convidam os produtores a refletirem sobre a melhor forma de escoarem sua produção com segurança para todos. As agroindústrias também estão ofertando seus produtos diretamente aos consumidores.

Charqueadas Em Charqueadas (Região Carbonífera), o extensionista Márcio Berbiger explica que a Emater realizou um levantamento com feirantes e produtores que abastecem o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), que beneficia 200 famílias. A Emater organizou uma lista com produtores disponíveis para fazer televenda e divulgou nas redes sociais, obtendo uma aceitação muita boa pela comunidade.

“Os produtores estão recebendo muitos pedidos durante a semana e entregam em um dia marcado. Não paramos por aí, estamos em contato direto com eles para ver como as coisas vão indo e reavaliando a todo momento as estratégias de escoamento da produção, uma vez que as feiras e entregas ao PAA estão suspensas naquele município”, avalia Berbiger.

Em Viamão, extensionistas da Emater e líderes da Concavi (Cooperativa de Pequenos Agricultores de Viamão), preocupados com as perdas que as mais de 100 famílias de agricultores integrantes vinham tendo já com a estiagem e em função da pandemia, montaram uma estratégia de comercialização direta com o consumidor, utilizando uma ferramenta on-line de pedidos.

As encomendas foram informadas ao público desde a terça-feira (24) e, dois dias depois, já contabilizavam 60 pedidos de alimentos coloniais e 12 de itens com certificação orgânica.

Em Rolante também não foi diferente. Os produtores fizeram propagandas virtuais e estão utilizando as redes sociais como uma nova forma de garantir que a comida chegue aos consumidores que não querem sair de casa. (Marcello Campos)

Fonte: O Sul

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