Em defesa do uso da tecnologia

Com o objetivo de impulsionar o uso de tecnologia no campo, uma nova associação, a Rede ILPF, será apresentada hoje em Brasília. O foco da entidade será a captação de recursos para alavancar projetos de integração lavoura-pecuária-floresta no agronegócio brasileiro. A ideia é atrair bancos e empresas capazes de fomentar mais pesquisas da Embrapa na área, por meio de linhas de crédito acessíveis aos produtores.

A integração lavoura-pecuária-floresta é um modelo de produção que vem sendo estimulado pela Embrapa há décadas. Consiste em combinar agricultura, criação de animais e plantio de árvores em uma mesma área. Mas expandir a técnica, ainda restrita a poucas regiões e adotada principalmente por produtores rurais de maior porte, sempre foi um desafio que esbarrou, em parte, na falta de financiamento.

Formada inicialmente pela própria Embrapa, pelas multinacionais John Deere (máquinas agrícolas) e Syngenta (sementes e defensivos), pela Sementes Oeste Paulista (Soesp) e pela cooperativa paranaense Cocamar, a Rede ILPF inaugura suas atividades com uma parceria firmada com o Bradesco, que estuda criar uma linha de crédito nos moldes do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC). Mas a entidade também já conversa com o Banco do Brasil, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e também com a agência de cooperação alemã GIZ.

Criado em 2011, o ABC, que conta com recursos do BNDES a juros subsidiados, financia práticas agropecuárias sustentáveis como o aproveitamento de pastagens degradadas, para a emissão de gases de efeito estufa. Mas o programa tem dificuldades para atrair um número maior de produtores..

O presidente do Conselho Gestor da Associação Rede ILPF, Renato Rodrigues, explica que o grupo já opera desde 2012 como uma rede, e que as contribuições de seus integrantes somavam R$ 2 milhões por ano. Mas um dos objetivos da entidade é ser mais flexível. Nesse sentido, quer desenvolver com bancos parceiros uma linha de financiamento mais acessível e menos burocrática destinada a agricultores e pecuaristas.

"O modelo de integração lavoura-pecuária-floresta tem se mostrado eficiente no país e deu uma arrancada nos últimos cinco anos. Mas, para ganhar escala, precisamos de melhor acesso a crédito e assistência técnica", diz Rodrigues.

A associação também se reservou a difícil tarefa de tentar ampliar a área total plantada com algum tipo de sistema integrado agropecuário no Brasil, dos atuais 14,6 milhões de hectares para 19,3 milhões até 2020. A meta consta dos compromissos ambientais assumidos internacionalmente pelo país.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor