Em Chicago, soja fica à mercê da guerra EUA-China

Em menos de 24 horas, as perspectivas para as relações comerciais entre EUA e China mudaram de "em negociação" para o recrudescimento do protecionismo por parte do governo americano. Nesse ínterim, as cotações da soja negociada na Bolsa de Chicago com vencimento em setembro apresentaram forte oscilação: alta de 28 centavos no fechamento de terça-feira para queda de 17,25 centavos ontem, cotada a US$ 8,915 o bushel.

"Trump está tentando marcar território e se for sentar para negociar com a China, será sob as condições dele", avalia Ismael Menezes, sócio diretor da MD Commodities.

Na terça-feira, a Bloomberg informou que representantes dos dois países estavam buscando formas de retomar as negociações comerciais. Ontem, contudo, Washington afirmou que estuda elevar de 10% para 25% as tarifas que havia anunciado sobre mais US$ 200 bilhões em produtos chineses, somando-se a outros US$ 50 bilhões já tarifados.

Apesar da possível nova taxa, Menezes observa que o mercado continua esperando por um acordo entre os dois países. "A gente acredita que esse jogo deve perdurar por mais algum tempo, mas os dois países sabem que um depende do outro. É mais favorável os dois entrarem num acordo do que o contrário", diz, acrescentando que "o tempo está contra a China", uma vez que os EUA têm maior espaço para tarifações diante do desequilíbrio da balança comercial sino-americana.

Do lado dos fundamentos, a soja segue refletindo as condições climáticas para a safra 2018/19 nos EUA. "O cenário para a safra americana continua preocupante, principalmente pela chegada de uma massa de ar quente de alta pressão no Centro do país", aponta a AgResources em nota.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor

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