EM BUSCA DE ALTERNATIVAS – Soja deve roubar espaço do arroz nas lavouras gaúchas, diz Irga

Para a Federarroz, a monocultura está no fim e produtores que querem se manter na atividade precisam diversificar a produção; a oleaginosa surge como opção

sojarrozMontagem: Canal Rural

O plantio de soja tem se espalhando por áreas onde, tradicionalmente, planta-se arroz. Segundo projeção do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), muito em breve, a oleaginosa deve ocupar quase 50% dos hectares atualmente destinados ao cereal.

O plantio de arroz é herança de família para Celso Bartz, de Camaquã (RS). Mas a cada ano fica mais difícil manter a tradição. “Em 2017, desistimos das áreas arrendadas que mantínhamos, em torno de 500 hectares. Na safra 2019/2020, vamos diminuir mais 300 hectares”, conta. O motivo de Bartz é o que todo produtor de arroz já conhece: a falta de competitividade. “A questão fora da porteira judia muito. Há essa assimetria do Mercosul, que está complicada. Nós temos altas taxas! Toda a questão legal que envolve a lavoura é muita onerosa”, afirma o agricultor.

Diversificação

De acordo com o presidente do Irga, Guinter Frantz, a soja já está presente em 29% das áreas ocupadas por arroz. “O produtor tem ela no seu portfólio de plantio e venda, isso com certeza ajuda muito”, diz.

Diversificar é a principal orientação do setor para quem vai insistir em arroz nas próximas temporadas. O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, admite que, dependendo da região e da situação individual, há produtores que não vão conseguir. “Mas contando que uma parcela importante — pelo menos 50% — pode, isso trará um outro horizonte para o setor produtivo”, pontua. O dirigente é taxativo: “A monocultura está no fim”.

Celso Bartz planta soja em 650 hectares e, na próxima temporada, já planeja expandir o cultivo para 1.000 hectares. Ele também vai investir na pecuária, atividade que já faz parte da rotina. “Estamos trabalhando com inseminação artificial, melhorando genética e, principalmente, fazendo um ciclo mais curto de abate”, conta. O agricultor também aderiu à Integração Lavoura-Pecuária (ILP) para aproveitar melhor a área.

Por Bruna Essig, de Camaquã (RS)

Fonte : Canal Rural

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