Em audiência, líderes indígenas criticam atuação da Funai e pedem mais proteção

Paulo Rocha (em pé) conversa com o presidente da CDH, Paulo Paim, durante a audiência com representantes dos índios e do governo
Pedro França/Agência Senado

  • Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) realiza audiência pública interativa para tratar sobre: "Defesa dos Segmentos mais Vulneráveis", com foco nos impactos socioambientais do corredor logístico da Amazônia oriental.  Mesa: gerente de Projeto da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (SPPI), Uirá Cavalcante Oliveira; antropólogo, representante da Fundação Nacional do Índio (Funai), Cláudio Eduardo Badaró; senador Paulo Rocha (PT-PA); presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS); liderança indígena, representante da Rede Xingu, Doto Takak-ire; liderança Kaiapó, Bepnhôti Atydiare.  Foto: Pedro França/Agência Senado
  • Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) realiza audiência pública interativa para debater "defesa dos segmentos mais vulneráveis", com foco nos impactos socioambientais do corredor logístico da Amazônia oriental.   Da bancada, representantes indígenas acompanham audiência.  Foto: Pedro França/Agência Senado

Em audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) nesta terça-feira (10), lideranças indígenas pediram à Fundação Nacional do Índio (Funai) mais diálogo e proteção. A instituição, que tem como missão proteger e promover os direitos dos povos indígenas no Brasil, foi acusada de negociar com o agronegócio sem representação dos índios.

O senador Paulo Rocha (PT-PA) ressaltou a necessidade de respeitar e proteger os povos originários e suas terras e afirmou que o governo do presidente Jair Bolsonaro ameaça os indígenas. Segundo o senador, os índios cumprem um papel muito importante na proteção das florestas brasileiras.

— Queremos que a Funai cumpra o seu papel constitucional. Nós fundamos, e foi um processo democrático no nosso país. Assim como foi criado o Ministério da Saúde, para tratar da questão da saúde, o Ministério da Educação, para tratar da questão da educação, o Ministério da Agricultura, para tratar da agricultura, foi criada a Funai para tratar da questão indígena — pontuou Paulo Rocha.

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) relatou que tem acompanhado a situação dos povos indígenas de perto. Para ele, o poder público e as instituições responsáveis estão violando os direitos dessa população.

— Nesse final de semana eu estive em Mato Grosso do Sul visitando os guaranis-kaiowás. Eu não tenho dúvida de falar que o momento é sério e que os povos originários estão sendo exterminados, eles estão sendo dizimados pelo próprio poder público. Não só pelos fazendeiros, mas também pelo poder público e pelas instituições legalmente constituídas — declarou Contarato.

Lideranças indígenas também criticaram a atuação do governo e da Funai nos assuntos referentes aos povos originários. A representante do povo munduruku, Alessandra Munduruku, declarou que a Funai está negociando com o agronegócio sem consultar os povos indígenas.

— A Funai era do índio, agora é do agronegócio— afirmou a líder, que também criticou o suposto desenvolvimento levado pelo “homem branco” aos territórios ocupados pelos índios. — O desenvolvimento para a gente é de morte. Um desenvolvimento para o índio beber água suja — ressaltou Alessandra.

Autonomia

Representando a Funai, o antropólogo Cláudio Eduardo Badaró disse que a tarefa institucional da entidade é respeitar as leis e normas e abrir-se para o novo. De acordo com o antropólogo, o futuro dos povos indígenas no Brasil é incerto, mas caminha para ser promissor, devido à autonomia atribuída a eles. Para Badaró, há uma desvalorização do trabalho feito pela Funai.

— O que nos preocupa é quando nós temos um discurso açodado, desesperado e acusatório e não levamos em conta o trabalho maravilhoso que vem sendo feito por essa equipe maravilhosa que temos na Funai — declarou.

Para o líder kaiapó Bepnhóti Atydiar, o atual governo quer acabar com as terras indígenas e não há fiscalização da Funai. Ele declarou que vai lutar para evitar a apropriação dos territórios indígenas pelo agronegócio.

— Hoje o governo está olhando só para aquele indígena que quer se envolver com mineração, garimpo e criação de gado — destacou Bepnhóti Atydiar.

Fernando de Oliveira sob a supervisão de Sheyla Assunção

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Da Redação |

Fonte : Agência Senado

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