Em 2014, safra de cana no Centro-Sul deve repetir 2013

Mesmo que algumas usinas ainda estejam processando cana-de-açúcar em dezembro e planejem continuar a operar em janeiro, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) já deu por encerrada a safra 2013/14 na região Centro-Sul, que concentra 90% da oferta da matéria-prima no país. Ontem, em encontro com a imprensa, a entidade revisou para cima a estimativa de moagem, para 589,6 milhões de toneladas, 2,6 milhões adicionais em relação ao previsto em outubro. A revisão, no entanto, trará pouco impacto na oferta final de açúcar e etanol.

De fato, o número de 589,6 milhões de toneladas foi o primeiro estimado pela Unica, ainda em abril deste ano. Em outubro, houve a revisão para baixo, dado o clima chuvoso naquele momento, que indicava que as usinas podiam não conseguir moer toda a cana disponível. Mas o efeito na produção de açúcar e etanol não será significativo, porque o teor de açúcar na cana tende a ficar abaixo de 134 quilos por tonelada. Além disso, a produtividade por hectare não será tão grande quanto se esperava em abril, apesar de crescer em relação à safra passada.

Assim, a produção de açúcar em 2013/14 deve ficar em 34,1 milhões de toneladas, em vez de 34,2 milhões estimados anteriormente – queda de 100 mil toneladas. Em etanol, em vez de 25,039 bilhões de litros, a produção deve ficar entre 25,1 bilhões e 25,2 bilhões de litros – um incremento de, no máximo, 160 milhões de litros.

A próxima temporada, a 2014/15, tende a ser semelhante a esta safra, na avaliação do diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues. A renovação de canaviais foi menor, o que não deve trazer produtividade muito mais elevada do que a registrada neste ciclo. Além disso, a capacidade industrial instalada não cresceu, e continua em 3,6 milhões de toneladas de cana por dia.

"A moagem pode ser um pouco superior se o clima for favorável (mais seco) no começo da safra, o que possibilitaria mais usinas iniciarem as operações mais cedo, antes de 15 de abril", afirmou Rodrigues. A entidade estima que nove unidades industriais não devem operar no próximo ano. A matéria-prima que pertence a essas usinas deve ser absorvida por outros grupos.

Segundo levantamento feito pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), as usinas do Centro-Sul plantaram 15% menos cana em 2013. No acumulado de janeiro a novembro, foram 774 mil hectares, ante os 908 mil hectares do mesmo intervalo de 2012. A Unica avalia que 45% das usinas do Centro-Sul reduziram a área plantada na comparação com 2012, enquanto 27% mantiveram o ritmo de cultivo e apenas 28% conseguiram ampliar a área plantada. Os números não consideram área de fornecedores de cana.

A redução no ímpeto por plantio de cana se deveu a diversos fatores, conforme a Unica. Entre eles perda de mudas com as geadas de junho e julho e a dificuldade operacional para o plantio de cana de 18 meses em algumas regiões, devido ao clima chuvoso. Além disso, segundo Rodrigues, as usinas têm tido dificuldade de continuar investindo em plantio em decorrência da baixa rentabilidade do açúcar e do etanol neste ciclo.

No que diz respeito ao mercado de etanol, o dirigente da Unica espera que o hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, perca vantagem em relação à gasolina no ano que vem. Isso porque a oferta desse biocombustível não vai crescer em 2014, e deve ficar entre 13 bilhões e 14 bilhões de litros no Centro-Sul. Por outro lado, o consumo de combustíveis vai avançar, diante do próprio aumento da frota de veículos. "O preço do hidratado tende a subir para controlar o ímpeto da demanda. Deve se aproximar da paridade de 70% do preço da gasolina em 2014", calcula. Essa relação torna indiferente para o consumidor usar etanol ou gasolina.

Já para a produção de açúcar em 2014/15, o executivo não vê grandes alterações. Se houver alguma mudança, a sinalização ao mercado virá no segundo semestre de 2014. Entre abril e novembro deste ano, o preço médio de venda de açúcar bruto pelas usinas da região recuou 16,7% na comparação com igual período do ano passado. O de etanol hidratado avançou 6% e o do anidro, que é misturado à gasolina, subiu 6,3%. No caso do hidratado, pesaram no aumento a desoneração do Pis/Cofins e os reajustes da gasolina.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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