Elétricas entram em disputa pelos ativos do grupo Rede

A disputa por ativos do grupo Rede Energia se intensificou e já mobiliza pelo menos seis interessados: J&F, Cemig, CPFL, Equatorial e dois fundos de investimentos estrangeiros. O que está em jogo são oito distribuidoras do grupo, controlado pelo empresário Jorge Queiroz, sob intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) desde o início de setembro. "A minha visão é de que só existe solução com a compra da holding", disse ao Valor o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner.

A J&F e os dois fundos estrangeiros – Zaff e Guggenheim – estão dispostos a assumir todas as operações. Cemig, CPFL e Equatorial têm interesse em apenas parte das distribuidoras. Hubner aponta um caminho para viabilizar uma compra de todos os ativos da holding. "Elas podem se juntar, formar um consórcio e comprar a empresa. Podem dividir a conta da dívida e depois repartir as distribuidoras entre elas, conforme o interesse de cada uma. Isso não tem problema nenhum para a Aneel".

Cemat (MT), Enersul (MS), Celtins (TO) e cinco distribuidoras no interior de São Paulo e do Paraná (Bragantina, Caiuá, Força e Luz do Oeste, Nacional e Vale Paranapanema) fazem parte da holding. Na semana passada, a Equatorial comprou por R$ 1 a distribuidora paraense Celpa, que também integrava o grupo. Hubner diz não ver mais chances de reestruturação da Rede Energia pelo atual controlador.

O diretor-geral da Aneel sinaliza que prefere uma empresa com experiência no setor elétrico para assumir os ativos. "O grupo já veio nos perguntar o que aceitamos e o que não aceitamos. Isso não nos cabe dizer", afirmou. Mas emendou: "Podemos até ter preferências. Quando chega um processo de transferência do controle acionário precisamos olhar se o comprador tem estrutura adequada e expertise. A Cemig, a CPFL e a Equatorial têm. Se for um grupo sem atuação no país, exigiremos garantia e grau de profissionalização".

Sobre a medida provisória que permite a prorrogação das concessões de energia, Hubner descarta mudanças no cronograma fixado pelo governo, que começa com o pedido formal de renovação dos contratos (previsto para 15 de outubro) e passa pela assinatura dos aditivos (4 de dezembro). A conta das indenizações, segundo ele, deverá ficar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões. As concessionárias que não renovarem seus contratos poderão ser impedidas de participar da relicitação de usinas hidrelétricas e linhas de transmissão.

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Fonte: Valor | Por Daniel Rittner e André Borges | De Brasília

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