Elanco vê espaço limitado para novas aquisições

Simmons: Brasil vai se tornar o segundo país mais importante para a Elanco
Depois de adquirir nove empresas desde 2007 e ter feito o maior negócio do setor nos últimos anos, a Elanco, braço veterinário da farmacêutica americana Eli Lilly, acredita já ter atravessado a etapa mais intensa do processo de consolidação global da indústria veterinária.

Com o portfólio mais diversificado após a série de aquisições dos últimos anos e também mais limitada pela legislação antitruste, a Elanco agora pretende concentrar suas atenções em pequenas empresas de perfil regional e voltadas à pesquisas e inovação.

Em entrevista concedida ao Valor na semana passada durante visita ao Brasil, o presidente global da Elanco, Jeff Simmons, afirmou que a formação de joint ventures com empresas locais passou a ser uma possibilidade mais bem vista pela Elanco. "Vamos ser mais regionais e oportunísticos", disse.

De fato, o grande salto da Elanco no mercado mundial de saúde animal se deu no ano passado, com a conclusão da aquisição dos ativos da área veterinária da Novartis, por US$ 5,4 bilhões. Com esse negócio, a Elanco dobrou o parque fabril para 16 unidades em todo o mundo, atingindo um faturamento anualizado que ultrapassa US$ 3 bilhões.

Com esse porte, a Elanco hoje representa cerca de 20% das vendas da Eli Lilly. Segundo Simmons, isso faz da empresa uma área fundamental da farmacêutica. "A Eli Lilly tem três grandes negócios: diabetes, oncologia e saúde animal", observou. Diante dessa relevância, movimentos como o feito há alguns anos pela Pfizer, que abriu mão de sua área de saúde animal – a Zoetis – estão descartados. "Não há intenção de fazer um spin-off", disse, lembrando que os acionistas compram ações da Eli Lilly considerando a saúde animal.

Operacionalmente, enquanto integra os ativos adquiridos da Novartis – o que inclui uma fábrica no Brasil -, a Elanco também vem pesquisando alternativas aos antibióticos usados para promover o crescimento mais rápido dos animais, sobretudo frangos, suínos e bovinos.

No ano passado, em meio à forte pressão de grupos de consumidores americanos preocupados com a resistência de bactérias a antibióticos, a Elanco deixou de vender antibióticos também usados em seres humanos que tinham a indicação de acelerar o ganho de massa dos animais. Agora, a empresa só vende antibióticos usados para fins terapêuticos.

A decisão, que seguiu orientação da Agência para Alimentação e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês), não teve um "impacto material" nas vendas da Elanco, assegurou Simmons.

No entanto, o presidente global da companhia enfatizou que encontrar alternativas aos antibióticos é um desafio. "Não podemos simplesmente colocar os antibióticos de lado", admitiu Simmons. Também por isso, a empresa vem investindo 25% do montante destinado a pesquisas na busca de alternativas para esses antibióticos.

Questionado sobre o Brasil, o presidente da Elanco reconheceu que a situação da economia do país, com a depreciação do real, é "desafiadora" para a empresa no curto prazo. Não obstante, Simmons mantém otimismo para o longo prazo. "Crescemos no ciclo ruim do Brasil", disse, citando a contratação de 20 pessoas para a área comercial. Hoje, a Elanco tem 230 funcionários no Brasil. Em 2015, a empresa faturou R$ 420 milhões no país, apurou o Valor. A Elanco não divulga dados por país.

Nos próximos cinco anos, o Brasil deve ganhar ainda mais importância para a Elanco. "Nossa previsão é que o Brasil vai crescer muito mais rápido que o restante e deve emergir como o segundo país mais importante para a companhia em cinco anos", afirmou Simmons. Caso essa projeção se confirme, o Brasil ultrapassaria o Reino Unido como o segundo mercado mais importante para a Elanco no mundo.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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