Elanco começa trajetória independente da Eli Lilly

Cláudio Belli/Valor

Carlos Kuada, diretor da Elanco: Cada vez mais, indústrias veterinárias se tornarão independentes de farmacêuticas

"Subproduto" da pesquisa farmacêutica, a indústria veterinária será cada vez mais independente de suas origens. Essa é a aposta da Elanco, que em março concluiu o processo de separação do laboratório Eli Lilly, um das maiores fabricantes de medicamentos humanos do mundo.

Até outubro, a Elanco era o braço de saúde animal da farmacêutica americana. Naquele mês, a Lilly abriu o capital de sua veterinária na bolsa de Nova York, vendendo uma participação de 20%. Em março, a farmacêutica deu os 80% em ações da Elanco que ainda tinha para os próprios acionistas, deixando de ter qualquer participação na companhia que fundou e que se tornou a quarta principal veterinária, só atrás de Zoetis, MSD e Boehringer . No último ano, as vendas da Elanco renderam em torno de US$ 3 bilhões.

Na indústria veterinária, a primeira grande separação entre criatura e criador ocorreu há seis anos, quando a farmacêutica americana Pfizer desmembrou a Zoetis, que é a principal indústria veterinária do mundo, com vendas anuais de quase US$ 6 bilhões. A mudança trouxe retorno para os investidores – os papéis da Zoetis triplicaram de valor desde a sua abertura de capital.

Na Lilly, o desmembramento da área veterinária não estava nos planos. Mesmo quando os investidores da concorrente já haviam embolsado bons lucros com a separação, há alguns anos, o caminho era rejeitado. "Não há intenção de fazer um spin-off", chegou a dizer, em entrevista ao Valor em janeiro de 2016, o principal executivo da Elanco, Jeff Simmons. Na ocasião, o executivo sustentou que a divisão veterinária respondia por 20% do faturamento da Lilly e que era tão importante como os negócios de diabetes e oncologia.

De lá para cá, porém, a situação mudou – e as lideranças da Lilly também, embora Simmons tenha continuado à frente da empresa veterinária. Ao Valor, o diretor-geral da Elanco no Brasil, Carlos Kuada, ressaltou que, nos dois casos, as justificativas eram "estratégicas", seja para manter a empresa sob o controle da Lilly como para separá-la.

"Houve uma grande mudança de liderança dentro da Lilly e decidiram rever a estratégia para alguns negócios. Eles buscaram alternativas que melhor remunerassem os acionistas", disse o executivo brasileiro. De fato, os investidores saíram no lucro. Quando a Lilly listou a Elanco na bolsa de Nova York, as ações valiam US$ 24. Agora, estão em US$ 30, uma alta de 25%, enfatizou Kuada. Com isso, a Elanco é avaliada em pouco mais de US$ 11,3 bilhões na bolsa.

De certo modo, as razões que justificavam a manutenção da área veterinária sob o guarda-chuva da farmacêutica vêm se diluindo. Segundo Kuada, os medicamentos veterinários não são mais originados das pesquisas farmacêuticas.

"Acho que vai haver cada vez mais uma especialização", afirmou o executivo, citando o desenvolvimento de produtos para combater doenças específicas de cães e gatos.

De acordo com Kuada, o desenvolvimento de medicamentos para animais é mais rápido do que para humanos, o que torna a indústria veterinária mais estável. Nas farmacêuticas, o vencimento de uma patente provoca quedas bruscas de faturamento, comparou o executivo.

Nesse cenário, os investidores em busca de estabilidade nos resultados estariam mais propensos a comprar ações de uma indústria veterinária independente, avaliou. "É um crescimento talvez mais moderado, mas persistente ao longo do tempo", disse, sobre o que ele considera ser uma vantagem das indústrias veterinárias.

Para a Elanco, o crescimento ao longo do tempo depende do Brasil. Dado o potencial de sua pecuária, o país é o segundo mais importante – a empresa não divulga o faturamento por país -, atrás apenas dos EUA.

Fonte : Valor

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