EFEITO XISTO | Gás dos EUA tira mercado do Brasil

Preço maior do combustível produzido no país faz empresas perderem poder de competição

A concorrência com o baixo custo do gás de xisto americano, que em três anos ficou cinco vezes mais barato em relação ao gás natural do Brasil, está fazendo o país perder ou adiar bilhões de dólares em investimentos. Indústrias que têm até 35% de seus custos no gás, como cerâmicas, vidro e petroquímica perderam competitividade, elevaram importações e migraram negócios para o Exterior.
O maior volume de investimentos paralisados no Brasil por conta do custo do gás está nos setores de química e petroquímica. Em 2010, a Abiquim, entidade representante do ramo, estimou que teria de investir anualmente de US$ 16 bilhões a US$ 17 bilhões para atender a demanda. Atualmente, a cifra está entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões ao ano. Empresas como Braskem, Unigel e Dow Chemical estão entre as que paralisaram decisões de investimento de bilhões de dólares. Até setores mais tradicionais sentem os efeitos.
– Uma fatia importante do setor está com o forno desligado. O risco é a produção nacional ser substituída pela importada – afirma o superintendente da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos (Anfacer), Antonio Carlos Kieling.
O empresário diz que as importações do setor cresceram 9.000% em sete anos, para US$ 220 milhões ao ano.
A reviravolta no mercado aconteceu com a disseminação nos EUA, nos últimos cinco anos, da técnica de fraturamento terrestre em formações de xisto (veja ao lado). Nesse período, o país trocou a posição de grande importador de gás pela de potencial exportador. A superoferta fez o preço do gás americano cair de US$ 9, naquele ano, a US$ 1,82 por milhão de BTU (unidade térmica britânica) em abril de 2012. No Brasil, o produto está cerca de cinco vezes mais caro, entre US$ 12 e US$ 16. Na Europa, oscila de US$ 8 a US$ 10.

Fonte: Zero Hora

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