Efeito de possível elevação de anidro na gasolina só será sentido em 2015

O atraso na tomada de decisão pelo governo para aumentar o percentual de etanol anidro na composição da gasolina de 25% para 27,5% comprometerá a eficácia da medida para os volumes de produção provenientes da colheita atual de cana. O alerta é da presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina. "A essa altura, o produtor vai dizer que já colheu mais da metade da safra", disse.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou semana passada que a decisão sobre a elevação do percentual de anidro na gasolina deve sair dentro de até três meses. Os produtores, porém, alegam que até lá já terão tomado as decisões sobre destinação de boa parte da matéria-prima, que influencia na proporção de etanol anidro, hidratado e açúcar que serão produzidos. Por consequência, o efeito real da medida só será percebido na próxima safra.

"A flexibilidade que envolve a destinação da matéria-prima não é total. Na média, as usinas conseguem uma variação de 10% para cima e para baixo em relação ao açúcar. Não dá para pensar que é possível produzir só metade da safra de açúcar em razão da medida, porque não vai. Existe toda a parte da estrutura industrial de processamento a ser considerada, além do fato de cada produtor ter um ritmo próprio de processamento", explicou Elizabeth.

A presidente da Unica disse que o ideal é que a decisão sobre o percentual de anidro na gasolina saia logo no início do ano, antes de começar a colheita da cana – entre abril e maio. "No ano passado houve o aumento da mistura para 25%. No momento em que os produtores souberam disso, começaram a se preparar para vender maior volume de anidro. Daí, essa decisão influenciou no quanto seria produzido de açúcar e hidratado", afirmou.

Em 18 de junho, o grupo de trabalho criado pelo governo para discutir o aumento da adição de anidro na gasolina comercializada nos postos de combustíveis entregou ao governo o cronograma de trabalho sobre o tema. Além disso, foi apresentado o termo de referência sobre a abrangência das análises técnicas que foram encomendadas ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras.

Os testes vão considerar diferentes aspectos. Dentre eles, os veículos aptos a receber maior volume de anidro na mistura, as emissões produzidas, o impacto sobre as peças dos veículos com risco de sofrer uma deterioração mais acelerada e o nível de consumo de combustíveis. "Estamos falando aí de 33% da frota que precisa ser testada, porque hoje 67% da frota já é flex [bicombustível]", informou Elizabeth.

A presidente da Unica ressaltou que, após a conclusão dos estudos técnicos, o governo precisará fazer a mudança na legislação que define a margem atual de anidro na gasolina (18% a 25%). A determinação final de aumento do anidro na gasolina sairá depois, nas semanas seguintes, em reunião de ministros do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (CIMA).

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Fonte: Valor | Por Rafael Bitencourt | De Brasília

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