Eduardo Campos faz périplo para diminuir resistência do agronegócio à Marina Silva

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o presidente da SRB, Cesário Ramalho, durante o encontro em São Paulo (Foto: Divulgação/SRB)

O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho, disse, logo após receber o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), hoje, dia 18, na sede da entidade, em São Paulo, que o agronegócio está disposto a sentar e conversar com Marina Silva somente se a ex-senadora deixar de lado a radicalização nas suas opiniões acerca do setor. Quase centenária, a entidade, na voz de Cesário, tem respondido com veemência às posições de Marina divulgadas pela imprensa e algumas escritas pelas suas próprias mãos.

Marina Silva é aliada de Eduardo Campos, provável candidato à presidência em 2014. E foi justamente para aplacar a tensão agronegócio x Marina Silva que o governador de Pernambuco reuniu-se na Rural com cerca de 50 representantes (fazendeiros, empresários e executivos) do agronegócio. É o segundo encontro de Campos com o pessoal do campo. A intermediação está sendo feita pelo ex-ministro Roberto Rodrigues, bastante respeitado pelos agropecuaristas.

Eduardo Campos disse que o momento é de estabelecer um diálogo franco com todos os setores da economia, principalmente com o agronegócio, que ele considera fundamental para o crescimento do país.  “É tempo de escutar”, afirmou o governador. “Estamos ainda construindo o programa do PSB com a Rede Sustentabilidade.” A Rede é o partido de Marina que não conseguiu registro no Supremo Tribunal Eleitoral.

Meus leitores estão lembrados de uma entrevista que eu fiz recentemente para a revista Globo Rural com o economista Eduardo Gianetti, um dos intelectuais mais consultados por Marina? Ele me disse que a ex-senadora não é contrária ao agronegócio, e sim aos que não respeitam o meio ambiente. Marina defende a conjugação da produção com a sustentabilidade.

Mais tarde, em artigo na Folha de S. Paulo, intitulado “O espantalho”, Marina voltou a criticar o agronegócio por conta da posição do setor em relação aos indígenas e novamente recebeu críticas da Rural.

Para sintetizar: Cesário Ramalho adiantou que Eduardo Campos se dispôs a elaborar uma carta com diretrizes claras e direcionadas ao setor do agronegócio. “O governador é um bom engenheiro e poderá construir uma ponte entre o campo e Marina Silva”, diz Cesário.

Eu conversei com vários participantes do encontro. Todos argumentaram sobre a importância de Eduardo Campos abrir diálogo com os agropecuaristas. Como Elizabeth Farina, presidente da Unica. Ela declarou à imprensa que “como houve algumas declarações da Marina de que o agronegócio era retrógrado, foi positivo o governador vir e ouvir o setor.” Farina concorda que o momento é de vocalizar as questões e depois partir para as resoluções.

Fonte: Globo Rural

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