Ecossistemas de inovação têm receita?

Há algum tempo, os parques tecnológicos são vistos em diversos países do mundo como ferramentas capazes de promover competitividade e desenvolvimento econômico. No Brasil, embora de forma tardia, essa ideia também foi adotada, visando a melhorar o desempenho econômico das regiões e promover a geração de emprego e renda baseada em indústrias de maior valor agregado. Basicamente, a ideia é aproximar o setor produtivo – empresas – das fontes de geração de conhecimento – universidades e instituições de pesquisa –, ambos apoiados pelos instrumentos de políticas públicas nas diversas esferas – municipal, estadual e federal. Objetivo final: desenvolver riqueza de forma alinhada às premissas da ‘nova’ economia do conhecimento.
E como fazer isso acontecer? Alguns fatores já são bem conhecidos. Pegue a experiência e o conhecimento de mercado de grandes empresas multinacionais. Acrescente o dinamismo e a flexibilidade das startups, sem esquecer o conhecimento do mercado regional daquelas empresas que nasceram e sobreviveram no ambiente e, portanto, sabem muito bem trilhar o caminho da competitividade. Fundamentais ainda são: estrutura, políticas e recursos financeiros, tudo na dose certa, para não comprometer o resultado. E então vêm os ingredientes que fazem a diferença: conhecimento, competências distintivas em áreas específicas, experiência de pesquisa, formação de pessoas de qualidade.
Faltou algo? Sim, os elementos mágicos da receita: visão, ousadia, coragem e muito trabalho. Trabalho de pessoas motivadas por ver os resultados e os benefícios do seu fazer. Gente cujos olhos brilham a cada desafio, a cada resultado de pesquisa que se transforma em solução, a cada aluno que se torna empreendedor. Olhando a experiência do Tecnopuc nestes 10 anos, esses são os componentes que podemos ver. Mas a pergunta é: juntando esses fatores, teremos um parque científico e tecnológico de sucesso? Sim, os componentes estão definidos. Mas o modo de fazer talvez esteja menos para processo industrial e mais para receita caseira, na qual cada produto é único e não só fruto da combinação dos ingredientes, mas especialmente da maneira como são misturados.
Diretora de Inovação e Desenvolvimento da Pucrs

Fonte: Jornal do Comércio | Gabriela Cardozo Ferreira

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