Economia verde ainda é economia

Em tempos de Rio+20, a efervescência dos debates acerca do desenvolvimento sustentável precisa ir além dos discursos politicamente corretos e da construção de uma agenda de ações em que as belas palavras não tenham possibilidade de sair do papel. De Estocolmo para cá, quatro décadas de mudanças econômicas e políticas, em escala mundial, tornaram as soluções para a sustentabilidade do planeta mais complexas. A economia verde tem sido o guarda-chuva que abriga inúmeras possibilidades de produção e consumo, seguindo o conceito maior do desenvolvimento econômico sustentável: produzir para a geração atual sem comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras. Produção de forma eficiente e limpa, agricultura sem agrotóxicos que não comprometa a demanda doméstica e mundial, redução da pobreza, preservação dos recursos das florestas e dos oceanos devem ser, sem dúvida, objetivos da agenda política e econômica de qualquer país.

No entanto, os países apresentam diferentes estágios de desenvolvimento econômico, com acesso a diferentes padrões de tecnologia. E a produção sustentável depende de tecnologia apropriada disponível, do contrário, não consegue produzir com custos que tornem os preços acessíveis. A sustentabilidade desejada não se resume às mudanças no padrão de consumo das famílias ou na negação da sacola plástica. Ela depende de políticas públicas que incentivem o setor produtivo por intermédio de políticas setoriais específicas, de acesso a crédito diferenciado e, principalmente, de novas tecnologias. A economia verde precisa deixar de ser apenas um nicho de mercado e ser o próprio mercado. Para isso, demanda produção em larga escala para haver redução dos custos e consequente queda no preço ao consumidor. Enfim, a sustentabilidade da economia verde e a colocação em prática de seus conceitos dependem da aplicação da ciência econômica, porque a economia verde ainda é economia.
Economista

Fonte: Jornal do Comércio | Diogo Sá Carvalho

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