Economia – Incentivo federal cai, desmatamento cresce e ameaça atividade econômica

O corte das florestas na Amazônia avançou enquanto o investimento ambiental do governo caiu. Diretor do MMA admitiu queda da fiscalização, mas anunciou medidas para reverter a situação.

Desmatamento na Amazônia cresceu e, para especialistas, suas consequências chegarão à economia

 

Desmatamento na Amazônia cresceu e, para especialistas, suas consequências chegarão à economia
Foto: Dreamstime

São Paulo – O governo federal investiu R$ 4,403 bilhões em gestão ambiental entre janeiro e novembro de 2016, uma queda de 18% ante igual período do ano passado, de acordo com informações enviadas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao DCI.

A diminuição dos aportes da União foi acompanhada pelo avanço da derrubada de árvores na Amazônia. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a taxa de desmatamento cresceu 29%, na comparação entre os 12 meses encerrados em julho de 2016 e igual intervalo terminado em 2015. Com isso, a área deflorestada chegou a 7.989 km².

"Quanto menor o orçamento para atividades de conservação, mais difícil de controlar a destruição da floresta e os crimes ambientais", avaliou Cristiane Mazzetti, coordenadora da campanha pelo desmatamento zero do Greenpeace.

A preservação e a conservação ambiental fazem parte do escopo amparado pelo investimento do MMA, que também engloba a recuperação de áreas degradadas e a difusão de conhecimento científico e tecnológico.

Segundo Cristiane, os danos às florestas podem afetar também a atividade econômica do País. "Boa parte das chuvas que irrigam as plantações no Sudeste e no Sul vem da Amazônia", exemplificou.

Já João Ricardo Costa Filho, professor de economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) chama atenção para o desperdício de recursos naturais no Brasil.

"A perspectiva para a nossa economia já não é boa. Se esgotarmos nossas florestas, que são uma grande vantagem comparativa do Brasil, vamos afetar o desenvolvimento no médio prazo e condenar as próximas gerações no País."

Estudo recente da Universidade da Califórnia indicou que o aquecimento global – causado também pelo desmatamento – deve levar à redução média de 23% nos salários ao redor do mundo até 2100.

As principais causas do desmatamento ilegal no Brasil, explica Cristiane, seriam o avanço da agropecuária, o corte ilícito de madeira e a grilagem.

Para João Ricardo, o bom desempenho da agropecuária brasileira não justifica a destruição das florestas. "É um setor importante, mas o impacto negativo de problemas ambientais é superior ao ganho de produtividade a partir do desmatamento irregular."

Prioridades

Nos últimos anos, os temas relacionados ao meio ambiente perderam espaço dentro do governo, afirmou Cristiane. Um dos motivos seria o avanço da crise econômica.

"A partir de 2005, surgiu uma maior preocupação com o assunto e o desmatamento começou a cair. Mas, recentemente, essa prioridade perdeu força, nos planos de políticos e para a sociedade civil", disse.

A especialista defendeu maiores esforços do governo na demarcação de áreas de conservação e de terras indígenas, além do fortalecimento das ações por prevenção e controle do desmatamento.

Outra forma de impedir o avanço do problema seria incentivar o desenvolvimento de "tecnologias sustentáveis", indicou João Ricardo.

"A busca de alternativas, como as energias limpas, é a principal solução para impedir uma maior depredação na Amazônia e de outras regiões."

Menor fiscalização

Diretor do Departamento de Mudanças Climáticas do MMA, Adriano Santiago falou com o DCI sobre a redução dos aportes públicos.

De acordo com ele, a queda no investimento do ministério realmente prejudicou a fiscalização das florestas, o que contribuiu para o avanço do desmatamento neste ano.

"O ministro José Sarney [Filho] tem lutado para ampliar o orçamento da pasta", ponderou Adriano, que também destacou medidas para a preservação ambiental.

"O governo deve tornar pública, em breve, a quarta fase do plano de ação para prevenção e controle do desmatamento na Amazônia Legal [PPCDAm]", afirmou ele.

Além de fortalecer o combate ao desmatamento, o programa deverá incentivar a economia sustentável e o ordenamento territorial, disse Adriano, que projetou recuo do desmatamento em 2017.

Renato Ghelfi

Fonte : DCI

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