ECONOMIA – Famílias com insegurança alimentar gastaram 32,6% mais com arroz

É o que mostra pesquisa feita pelo IBGE, que revela também o aumento de mais de 62% no número de famílias nessa condição entre 2013 e 2018

  • economia-supermercadi-arroz-feijao (Foto: Agência Brasil)

(Foto: Agência Brasil)

As famílias brasileiras em situação de insegurança alimentar grave, quando há efetivamente falta de alimentos entre adultos e crianças, tiveram um gasto mensal médio com a aquisição de arroz 32,6% superior às famílias com segurança alimentar entre 2017 e 2018. É o que aponta a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE (POF) divulgada nesta quinta-feira (17/9). Segundo o levantamento, o percentual de famílias brasileiras nessas condições cresceu 43,75% desde de 2013, atingindo cerca de 10,3 milhões de pessoas.

“Houve, portanto, ruptura nos padrões de alimentação nesses domicílios e a fome esteve presente entre eles, pelo menos, em alguns momentos do período de referência de 3 meses”, aponta o IBGE. A pesquisa ouviu 68,9 milhões de famílias entre julho de 2017 e julho de 2018 nos 27 Estados. Quando considerado os três níveis de insegurança alimentar (leve, moderado e grave), 36,7% das famílias brasileiras demonstraram ter dúvidas se teriam alimento o suficiente para satisfazer suas necessidades básicas – crescimento de 62,4% em cinco anos.

“Analisando as modificações ocorridas no Brasil entre os anos de 2004 e 2018, observou-se que, após a tendência de aumento da segurança alimentar entre os anos de 2004, 2009 e 2013, os resultados obtidos pela POF 2017-2018 foram marcados pela redução na prevalência de domicílios particulares brasileiros que tinham acesso a alimentação de seus moradores de forma adequada (quantitativamente e qualitativamente)”, destacam os pesquisadores.

O estudo ressalta ainda o aumento das prevalências dos graus mais severos de insegurança alimentar no cenário nacional, com aumento de 76,1% no percentual de famílias em insegurança alimentar moderada e de 43,7% entre aquelas em insegurança alimentar grave.

Hábitos alimentares

O IBGE também avaliou os hábitos alimentares entre as diferentes condições de segurança alimentar das famílias brasileiras e constatou que, entre aquelas em situação de maior risco, a ingestão de alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes, laticínios e carnes, foi até 65% menor conforme aumentou o grau de insegurança alimentar. Por outro lado, o consumo de cereais e leguminosas, que inclui o arroz e feijão, foi levemente maior entre a população em vulnerabilidade alimentar grave, com 29,6 quilos consumidos por pessoa ao ano, ante 28,2 entre aquelas em segurança alimentar.

Com isso, a despesa média mensal com alimentação entre as famílias em insegurança alimentar grave ouvidas pelo instituto foi 42,4% menor quando comparado ao observado entre aquelas consideradas em segurança alimentar.

Em relação ao perfil social das famílias em situação de vulnerabilidade alimentar, o levantamento do IBGE explicita uma desigualdade regional e racial no país, com maiores índices de insegurança no norte e nordeste do país. Nessas regiões, o percentual de famílias nessas condições supera os 10% na região norte, chegando a 7,2% no nordeste. Com isso, os brasileiros autodeclarados pretos e pardos responderam por 73,9% do total de pessoas em insegurança alimentar no Brasil entre 2017 e 2018.

CLEYTON VILARINO

Fonte : Globo Rural

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