ECONOMIA – Etanol, pecuária e feijão são destaque na pauta agro de Bolsonaro na Índia

Pretensão do país asiático em ampliar para 30% mistura do álcool na gasolina é vista como oportunidade para o Brasil

O presidente da República, Jair Bolsonaro, viaja no fim desta semana para a Índia com a previsão de assinar pelo menos 12 acordos comerciais. O objetivo é aprofundar as relações entre o Brasil e o segundo país mais populoso do mundo – com 1,3 bilhão de habitantes.

Serão assinados acordos nas áreas tributária, de investimentos, de agronegócio, de energia, de segurança cibernética e de saúde. Na agropecuária, um dos destaques na agenda é a cooperação na área da bioenergia – em especial o etanol.

Os indianos pretendem direcionar parte da produção de cana – que hoje vira açúcar – para aumentar a porcentagem de álcool na gasolina. Hoje, essa mistura não passa de 7%. O objetivo é chegar a 10% até 2022 e a 20% em 2030.

"Vamos levar a experiência brasileira, as lições aprendidas e os benefícios que tivemos ao longo de 40 anos para os atores envolvidos nessa área na Índia – do governo, da indústria de automóveis, do segmento de petróleo, para que eles possam ter clareza de como superar os desafios", explica Eduardo Leão, diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a principal associação de usinas do país.

Pecuária e feijão no radar

Exportadores de feijão, de carne de frango e suína e criadores de gado também estarão em solo indiano com a comitiva. Rivaldo Machado Borges Júnior, presidente Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), uma das principais entidades do setor, diz que firmará um acordo de cooperação técnica com o governo para desenvolver a pecuária leiteira na Índia. "Queremos ampliar o comércio de material genético", afirma.

A Índia é o berço do zebu – linhagem bovina de raças como nelore, gir e guzerá, bem adaptadas ao clima brasileiro. Esse tipo de animal responde por 80% do rebanho nacional. Outro produto na pauta é o feijão. Em 2019, o Brasil exportou 165 mil toneladas de nove variedades para 80 países. O faturamento foi de US$ 111 milhões.

"A única coisa que precisamos para atender melhor a Índia é nos organizar. A Índia precisa do nosso produto e nós precisamos de um cliente como a Índia para importar", resume Marcelo Luders, presidente do Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe).

ESTADÃO CONTEÚDO

Fonte : Globo Rural