Economia – Agricultura ajudará economias regionais

Expectativa de alta na produção de grãos beneficiará a atividade exportadora do País, principalmente no Centro-Oeste e no Sul, onde segmento tem mais peso

São Paulo – A agricultura voltada para a exportação será a saída para movimentar as atividades regionais neste ano, principalmente no Centro-Oeste e no Sul, onde o setor tem mais peso sobre a economia.

O professor de economia da ESPM, Orlando Assunção Fernandes, ressalta que o segmento só não terá um impacto positivo relevante no Nordeste pelo alto nível de desemprego (14,1% no terceiro trimestre de 2016, a maior do País) e pela dependência que a região tem de investimentos públicos federais para conseguir movimentar as suas atividades, principalmente em cidades mais afastadas dos grandes centros.

Segundo dados do Boletim Regional divulgados pelo Banco Central (BC) na última sexta-feira, após despencar 12,2% entre 2015 e 2016, a produção de grãos deve ter expansão de 20,3% neste ano, para 221,4 milhões de toneladas, conforme já havia sido divulgado pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 9.

O Centro-Oeste e o Sul registrarão as maiores safras em milhões de toneladas neste ano, em 94,0 e 79,9, respectivamente, expansão de 25,2% e de 10% ante 2016.

Já o Nordeste deve assistir a um crescimento de 89% em sua produção de grãos, para 18 milhões de toneladas. No Sudeste e Norte do País, por sua vez, a produção deve aumentar em 10% e 16%, para 21,6 e 7,8 milhões de toneladas, respectivamente.

"Após a estiagem ter prejudicado a produção e a colheita de grãos no ano passado, os relatórios setoriais apostam em um clima melhor para este ano, o que deve beneficiar a ampliação das exportações do setor agricultor", comenta Fernandes.

"Esta perspectiva de recuperação da agricultura é muito importante para movimentar outros segmentos. Em regiões como o Centro-Oeste, Sul e Nordeste isto fica mais evidente, já que a renda delas depende bastante da agricultura. Quando este setor se recupera, ele movimenta os serviços, o comércio e a indústria locais por efeito cascata", acresce.

Fernandes pontua que o Sudeste também pode dinamizar algumas atividades a partir da exportação de café, laranja e açúcar, ainda que a agroexportação tenha um peso menos relevante no Produto Interno Bruto (PIB) da região. "A agricultura e a exportação são os segmentos com melhores perspectivas de recuperação", reafirma Fernandes.

Extrativa

Já no Norte, o professor da ESPM destaca que o Projeto Ferro Carajás S11D, inaugurado no sudeste do estado do Pará em dezembro de 2016, tende a favorecer a indústria extrativa na região. Além disso, a expectativa de uma tímida recuperação da indústria neste ano pode movimentar a produção e a exportação de manufaturados a partir da Zona Franca de Manaus, no estado do Amazonas, diz Fernandes.

Segundo o Banco Central, a indústria nacional recuou 2,6% no trimestre encerrado em novembro de 2016, reflexo de resultados negativos em todas as regiões. A análise do desempenho do setor no Sul e do Sudeste, representantes de 81,2% da indústria nacional, revela um recuo de 1,9% da atividade fabril na primeira região, com destaque para a queda na fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos.

Já no Sudeste, houve retração de 2,0% na indústria de transformação e crescimento de 1,8% na indústria extrativa.

"Além da indústria, o Sudeste é marcado por uma economia bastante diversificada cuja produtividade reflete bastante o PIB do País. Assim como o Brasil, o Sudeste deve ter uma recuperação lenta e gradual. As taxas de desemprego nos estados da região estão altas, prejudicando os setores de comércio e serviços", diz.

"Além disso, a fragilidade fiscal dos entes estaduais, principalmente do Rio de Janeiro, acaba contribuindo para a retração da demanda agregada", complementa Fernandes.

Segundo o BC, em 12 meses até novembro de 2016, o Sudeste registrou uma queda de 2,9% em sua atividade econômica, ante igual período de 2015. Na mesma base de comparação, o Sul recuou 3%, enquanto o Centro-Oeste verificou retração de 4,5%. Já no Norte e Nordeste, as quedas foram de 3,6% e de 5,8%, respectivamente. A atividade de todo o Brasil caiu 4,8%.

Paula Salati

Fonte : DCI

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