Ecoagro ‘levanta’ R$ 40 milhões para canaviais

Claudo Belli/Valor / Claudo Belli/Valor
Queda dos juros incentiva investimentos no agronegócio, diz Moacir Teixeira

O economista Moacir Teixeira tem feito uma peregrinação pelas principais regiões produtoras de cana-da-açúcar do Centro-Sul. Em pauta, está a primeira emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) para produtores de cana-de-açúcar da Ecoagro, em uma operação que deve emprestar R$ 40 milhões para que cerca de 20 agricultores implementem ou façam a renovação de seus canaviais.

Primeira securitizadora autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a estruturar e distribuir títulos do agronegócio -os CRAs – a Ecoagro está definindo os últimos detalhes da operação que deve ser lançada em maio. "É um projeto piloto", explica Teixeira, sócio-fundador da Ecoagro. "Essa operação é a primeira do setor de cana voltada ao que chamamos de produtores pulverizados", complementa o também sócio-fundador da companhia, Milton Menten.

Desde a sua criação, em 2010, a Ecoagro já realizou sete operações com CRAs, a maior parte delas voltadas ao financiamento de sojicultores. " O desafio é fazer o mesmo com a cana", afirma Menten, citando as duas operações já realizadas com o setor sucroalcooleiro que envolveram apenas usinas.

No fim de 2010, a securitizadora realizou a maior operação de sua história justamente para uma usina, levantando R$ 110 milhões para a ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht. No mesmo ano, outra usina de menor porte recebeu cerca de R$ 20 milhões via CRAs emitidos pela Ecoagro. Ao todo, as sete operações da securitizadora movimentaram R$ 500 milhões.

Nesta nova operação de CRA, os R$ 40 milhões serão destinados aos produtores a um limite máximo de R$ 4 milhões por agricultor. Lastreados em recebíveis como Cédulas de Produto Rural (CPRs) e registrado na Cetip – Balcão Organizado de Ativos e Derivativos, os títulos ajudarão os agricultores a plantarem ou renovarem os canaviais para a colheita da safra 2013/14, com carência de até 18 meses e remuneração ao investidor de 12% ao ano mais o IPCA.

"O dinheiro tem que chegar na hora certa, respeitando o ciclo de produção. Não posso exigir o pagamento no momento em que o produtor não tem receita", diz Teixeira. Para isso, o CRA prevê amortizações anuais em até cinco safras, "período útil de um canavial", explica ele.

Segundo o executivo, a cada 240 hectares plantados, o canavieiro pode gerar, na primeira temporada, uma receita próxima de R$ 800 mil, já descontados os custos com CTT (corte, transbordo e transporte) e o trato da safra seguinte. No cinco anos previstos para o pagamento do CRA, estima Teixeira, os 240 hectares serão capazes de produzir cerca de 27 mil toneladas de cana na primeira safra, caindo progressivamente até as 18 mil toneladas esperadas para a quinta safra.

Para participar da operação, os agricultores dão como garantia a própria produção e um imóvel. A cana produzida tem como destino as usinas localizadas a um raio de 30 quilômetros de distância, segundo Moacir Teixeira.

Apesar de ser uma operação "segura", conforme Teixeira, ele reconhece as dificuldades que o investidor tem para entender o agronegócio. "O mercado ainda não está olhando como deveria para o campo. Nosso objetivo é ser o elo entre o produtor rural e o mercado financeiro", diz ele.

No caso da cana-de-açúcar, os problemas climáticos que prejudicaram as últimas duas safras e que devem se repetir no atual ciclo, o 2012/13, é outro obstáculo. "O setor atravessa dificuldades, mas vai se ajustar", pondera o executivo.

Por outro lado, as perspectivas para o agronegócio no mercado de capitais são positivas, conforme Teixeira. "Com a queda dos juros, o espaço para levar dinheiro da cidade para o campo é maior". O executivo cita ainda a vantagem do CRA ser isento de Imposto de Renda (IR) para investidores pessoas físicas.

Otimistas, os sócios Teixeira e Menten projetam o próximo passo. A Ecoagro pretende levantar R$ 120 milhões para produtores de soja no segundo semestre. "Vai ser a primeira de soja a ultrapassar a barreira dos R$ 100 milhões", confia Menten. O primeiro CRA da soja, em 2010, movimentou R$ 17,8 milhões.

Fonte: Valor |

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