EBFlora quer parceria com produtores

Ana Paula Paiva/Valor / Ana Paula Paiva/Valor
Marco Tuoto: regra ainda é ter floresta própria, mas tendência deve mudar

A EBFlora, empresa que atua no segmento de manejo de plantações e gere investimentos nessa área, tem conversado com companhias brasileiras de base de florestal com vistas a consolidar no país uma tendência que já é modelo de negócios no mercado internacional: a "terceirização" de florestas. "A regra no país ainda é ter a floresta própria. Mas isso começa a mudar", diz Marco Tuoto, principal executivo da EBFlora.

Nos Estados Unidos e Europa, o associação entre produtores de celulose e papel, painéis e outros produtos de base florestal e fundos ou empresas de manejo tornou-se bastante comum e deu origem a um negócio bilionário representado por empresas que investem em madeira e são conhecidas por "Timos" (do inglês Timberland investment management organizations).

Por aqui, avalia Tuoto, é improvável que os produtores de base florestal transfiram a maior parte de seus ativos, para terceiros, uma vez que o fornecimento regular de madeira é essencial para a manutenção e melhora das taxas de rentabilidade. Porém, já existe um movimento de desmobilização de ativos que deverá impulsionar os negócios de companhias como a EBFlora. "As empresas começam a perceber que o volume de capital imobilizado por estar elevado demais e que vender uma parte dos ativos florestais reforça o caixa", acrescenta.

Além da indústria, o investimento em madeira tem atraído donos de pequenas fortunas no país. A própria EBFlora tem como principal co-investidor o representante de uma família ligada a um importante grupo econômico nacional. Conforme Tuoto, algumas particularidades do investimento, como a característica de funcionar como proteção natural contra a inflação e oferecer estabilidade em tempos de crise, têm atraído adeptos. "A madeira é uma commodity. Se os preços caírem e não for interessante vender, é possível manter a floresta de pé e não ter gastos com estoques, como ocorre na agricultura, por exemplo", explica.

Segundo Tuoto, em projetos florestais que se iniciam do zero (os chamados "greenfield"), a taxa de retorno real (portanto, descontada a inflação) pode variar de 10% a 14%. Em caso de madeiras nobres como a teca, a rentabilidade real sobe ao intervalo de 12% 1 14%. "Nos Estados Unidos, entre a década de 80 e 2010, a taxa média de retorno ficou em torno de 15% ao ano e o investimento ficou com uma das melhores posições no ranking de retorno/risco", afirma.

Por outro lado, pondera o executivo, há riscos inerentes ao investimento em florestas, entre os quais biológicos e ambientais, e não se trata de um negócio com elevada liquidez. Para o investidor em florestas de eucalipto, o prazo mínimo é de seis anos – tempo necessário para o primeiro corte das árvores. O investimento em teca (madeira nobre e tropical que tem preços elevados no mercado), esse prazo se aproxima de 25 anos.

A EBFlora, que recebeu investimento inicial entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões, conta com 4 mil hectares de florestas plantadas e tem como meta manter o ritmo de 2 mil hectares adicionais por ano até 2015. Para os próximos anos, conta Tuoto, a expectativa é de que a demanda por madeira vá superar a oferta, o que deverá levar à valorização da matéria-prima no país.

Fonte:  Valor | Por Stella Fontes | De São Paulo

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