Dívidas de agricultores nordestinos ultrapassam R$ 14 bilhões, aponta CNA

Segundo técnica, há 24 anos o governo tenta renegociar a dívida agrícola da região com ações paliativas

Canal Rural / DuPont Colheita Farta

Foto: Canal Rural / DuPont Colheita Farta

Na dívida ativa da União estão inscritos 85 mil produtores da região que devem quase R$ 3 bilhões

O endividamento dos agricultores do Nordeste ultrapassa R$ 14 bilhões, segundo levantamento apresentado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) na audiência publica na Câmara que discute, nesta terça, dia 7, a dívida rural da região. Só na dívida ativa da União estão inscritos 85 mil produtores da região, que devem quase R$ 3 bilhões e, em razão disso, não podem entrar em processos de renegociação.
Segundo a técnica da CNA Rosimere dos Santos, há 24 anos o governo tenta renegociar a dívida agrícola do Nordeste com ações paliativas, como as que estão sendo tomadas neste momento.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba, Mário Borba, destacou iniciativas do governo, como a suspensão de execução judicial e a liberação de crédito. No entanto, segundo ele, essas ações não se concretizam para os agricultores do Nordeste.

Para Borba, resolver o problema é uma decisão política. Ele chegou a comparar com a desoneração de R$ 44 bilhões concedida pelo governo ao setor automobilístico, cujo valor é três vezes maior do que o total da dívida dos agricultores.

O debate é realizado pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.
Cobrança indevida
O deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) e o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba, Mário Borba, afirmaram nesta terça que o Banco do Nordeste está fazendo cobranças indevidas dos agricultores nordestinos que possuem financiamentos.
Segundo Marcelo Castro, que é produtor de médio porte no Nordeste e tem financiamento junto ao Banco do Nordeste, estão sendo cobrados valores a mais nas parcelas. O parlamentar disse já ter avisado ao banco, mas que nada foi feito.
– Esse tipo de procedimento é inaceitável em um banco público. Tenho como provar e renuncio ao meu mandato se não provar que há irregularidade – desafiou Castro.
O Banco do Nordeste foi criticado por outros parlamentas, como o deputado Leonardo Gadelha (PSC-PB).
– A discussão do endividamento precisa passar pelo Banco do Nordeste, que precisa oferecer condições diferenciadas, por ser regional e público. Tem que diminuir desigualdades, se não será igual a um banco privado e a instituição não terá razão de ser.

AGÊNCIA CÂMARA

Fonte: Ruralbr

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