Duratex terá de buscar novo comprador para florestas

Anna Carolina Negri/Valor

Duratex e Suzano assinaram, em fevereiro, acordo em duas etapas, no total de R$ 1,05 bilhão, envolvendo 30 mil ha

A Duratex pode ter de buscar um novo comprador para 20 mil hectares de terras e florestas negociados em fevereiro com a Suzano Papel e Celulose. A data limite para a Suzano exercer a opção de compra, de quase R$ 750 milhões, é 2 de julho. Mas, após o anúncio de fusão com a Fibria, a aquisição de florestas adicionais parece ter se tornado desnecessária e dispendiosa.

O Valor apurou que a Duratex – que concedeu exclusividade à Suzano na operação – ainda não começou a buscar outros potenciais compradores. Procuradas, Duratex e Suzano não comentaram o assunto.

No início de fevereiro, as companhias anunciaram a operação de até R$ 1,05 bilhão, referente à negociação de 30 mil hectares de florestas no Estado de São Paulo. Do total, 9,5 mil hectares foram vendidos no ato por R$ 308,1 milhões. O acordo abrangeu também opção de compra do restante.

Com a aquisição inicial, que corresponde a um terço da área total prevista no acordo, a Suzano vai reduzir a distância entre floresta e a fábrica de Limeira, com ganhos no custo caixa de produção de celulose. A segunda etapa da operação, por outro lado, teria por objetivo abastecer com madeira uma nova fábrica de celulose no Estado.

Mas, com a compra da Fibria, a Suzano não levará adiante esse plano. A companhia da família Feffer já anunciou que não realizará investimentos expressivos em expansão de capacidade, nos primeiros anos após a fusão, e que adotará política de distribuição de dividendos limitada ao mínimo obrigatório.

O foco da empresa será o de acelerar a desalavancagem financeira após o negócio, que demanda R$ 29 bilhões (sem considerar correção pelo CDI) em caixa e a emissão de 255 milhões de novas ações. A união com a Fibria deixará a "nova" companhia com uma alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, próxima a 3,5 vezes.

Segundo o Valor apurou, o possível não exercício da opção de compra pela Suzano não afeta os planos da Duratex para 2018. Isso porque o orçamento definido para o ano não considerou a operação, alinhavada somente em janeiro. Por outro lado, a companhia terá de buscar outros compradores para o lote de 20 mil hectares de florestas do qual a Suzano ainda tem exclusividade. Outros volumes excedentes já são fornecidos também a empresas de papel e celulose, como Fibria e International Paper.

Além disso, o total de R$ 1,05 bilhão das duas etapas de venda de florestas à Suzano permitiria que a Duratex reduzisse pela metade a dívida bruta de R$ 2,1 bilhões registrada no fim do ano passado. Se a operação for limitada, de fato, aos R$ 308,1 milhões já concluídos, o impacto se restringe à queda de 14,7%. Em 31 de dezembro de 2017, a relação entre dívida líquida e Ebitda recorrente dos últimos 12 meses da Duratex era de 2,76 vezes.

No início de fevereiro, ao comentar o negócio com a Suzano, o presidente da Duratex, Antônio Joaquim de Oliveira, informou que o lucro extraordinário que seria obtido com as duas etapas da venda de terras e florestas seria de R$ 500 milhões – R$ 140 milhões na primeira fase e R$ 360 milhões na segunda. Na ocasião, Oliveira afirmou esperar que a Suzano exercesse a opção de compra na data definida.

Conforme o Valor apurou, o presidente da Suzano, Walter Schalka, ainda não conversou com o presidente da Duratex a respeito de exercer ou não com a opção de compra.

A operação com a Suzano integra a reestruturação da divisão de painéis de madeira da Duratex, principal negócio da companhia. A reestruturação da Divisão Madeira engloba também a venda de instalações e equipamentos de chapas de fibra fina, em Botucatu (SP), para a concorrente Eucatex e a retomada, no próximo mês, da produção de painéis em Itapetininga (SP).

Por Chiara Quintão e Stella Fontes | De São Paulo

Fonte : Valor

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