DSM planeja salto global da Tortuga

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Ruy Freire: "Vamos usar nossa estrutura para expandir a atuação da Tortuga

Aos 62 anos, o soteropolitano Antonio Ruy Freire esperou mais de três décadas para realizar um antigo sonho. No fim dos anos 1970, o então gerente de nutrição animal da farmacêutica Roché sugeriu aos seus diretores a compra da brasileira Tortuga. O negócio não prosperou. Em janeiro de 2012, coube ao próprio Freire, presidente global de nutrição animal da holandesa DSM, iniciar as conversas que culminariam na aquisição da companhia. Realizado, o executivo terá agora uma missão tão ou mais importante: tornar a Tortuga uma empresa global.

Anunciada na última quarta-feira, a aquisição da Tortuga, por € 465 milhões, coroa uma estratégia desenhada pela DSM em 2008. "Naquele ano, determinamos o mapa que queríamos seguir", disse Freire ao Valor, na sede da companhia em São Paulo. A estratégia, lembra o executivo, definiu três pilares: fazer da DSM uma competidora global no mercado de nutrição animal para ruminantes, ampliar o portfólio de produtos e atingir um leque maior de fornecedores. "A Tortuga contempla os três pontos", resume.

Com faturamento de R$ 939 milhões em 2011, a companhia brasileira é uma das líderes mundiais na produção de suplementos minerais para bovinos. "Éramos inexpressivos em ruminantes e a Tortuga nos dará a oportunidade de fortalecer esse segmento". Freire explica que, até a aquisição da Tortuga, a força da DSM em nutrição animal, área responsável por 20% do faturamento global de € 9 bilhões da companhia química, ficava restrita à produção de ingredientes como vitaminas e aminoácidos para aves, suínos e peixes.

"Agora, vamos usar nossa estrutura para expandir a atuação da Tortuga", disse o executivo. Com 41 fábricas dedicadas à mistura de ingredientes para nutrição animal e atuação em 98 países, a DSM deve ampliar as exportações da Tortuga para além da América Latina. "Vamos chegar aos EUA, China, Rússia, Índia e União Europeia", diz.

Outra vantagem, afirma o executivo, serão as sinergias entre as duas companhias. "Praticamente, não temos sobreposição. Eles reforçam a nossa atuação em ruminantes e nós ampliamos a deles em aves e suínos". Além disso, a DSM ampliará sua base de clientes para o médio e grande pecuarista. Atualmente, as vendas da companhia estão concentradas com grandes integrações, como BRF – Brasil Foods, Marfrig e Tyson.

A compra da Tortuga, que deve ser concluída no início de 2013, não inclui as operação de saúde animal, que será segregada e permanecerá sob o controle da família Fabiani.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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