Dreyfus e Amaggi planejam parceria para negociar frete

A francesa Louis Dreyfus Company, uma das maiores multinacionais de agronegócios do mundo, e a Amaggi, produtora e processadora de grãos controlada pela família do ministro Blairo Maggi, planejam estabelecer uma parceria para intermediar a contratação de transporte rodoviário para o escoamento de suas cargas no país. Cada sócia deverá ter 50% da joint venture, planejada para otimizar esse custo depois da entrada em vigor da tabela de preços mínimos dos fretes.

Em documento enviado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no dia 14, as empresas pedem a aprovação da joint venture sem restrições, afirmando que a operação proposta não altera relações de concorrência pré-existentes no mercado. "Isso porque a joint venture atuará no segmento de intermediação de frete rodoviário por meio de softwares e as companhias atuam na comercialização de commodities e utilizam o transporte rodoviário para a movimentação de sua produção", diz o documento.

Representadas pelo escritório Lobo de Rizzo Advogados, Dreyfus e Amaggi também garantem, no documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que pretendem oferecer o serviço, mediante remuneração, a outras tradings, embarcadores e transportadores. Se for aprovada, a nova empresa será baseada na operação de uma plataforma tecnológica composta por um software e um aplicativo móvel para viabilizar a integração de sistemas de frete e outras atividades de transportes de cargas.

No ofício enviado ao Cade, as companhias estimam que o transporte rodoviário de grãos gire no país aproximadamente R$ 20 bilhões por ano, levando em consideração uma movimentação de cerca de 150 milhões de toneladas de 2017. As tradings de produtos agrícolas estão entre as maiores usuárias do serviço.

Se for aprovada, a nova joint venture vai disputar espaço com as empresas como FreteBras, TruckPad e Cargo X. Procuradas pelo Valor, Amaggi e Louis Dreyfus Company confirmaram a intenção de criar a joint venture, mas não quiseram dar mais detalhes. No ato entregue ao Cade, elas solicitaram confidencialidade sobre o valor da operação.

Fonte: Valor | Por Fernanda Pressinott | De São Paulo