Dona da SuperFrango diversifica negócios

Depois de se consolidar como uma empresa regional de carne de frango, a goiana São Salvador Alimentos, dona da marca SuperFrango, decidiu diversificar suas operações. Fundada em 1991, a companhia de Itaberaí, que deve faturar R$ 630 milhões este ano – R$ 100 milhões a mais que em 2012 – anunciou no mês passado que vai atuar também na distribuição de produtos nos segmentos de carne suína e vegetais.

Com o intuito de se desfazer do rótulo de empresa restrita à carne de frango, a companhia lançou no fim de outubro a marca corporativa São Salvador Alimentos e pretende comercializar, a partir de 2014, vegetais prontos com uma outra marca a ser criada e que ficará sob o guarda-chuva da São Salvador.

"Precisávamos de uma marca corporativa, porque a São Salvador só existia no papel. A SuperFrango é que aparecia nesse tempo todo", afirma ao Valor o diretor comercial da companhia goiana, Hugo Souza.

Com a diversificação, a São Salvador poderá aproveitar sua a atual base de 15 mil clientes, distribuídos no Estado de Goiás e no Distrito Federal, no Triângulo Mineiro e na região Norte do país. "Fazemos 80 mil entregas por mês. Por que não aproveitar a venda do frango e também entregar outros produtos?", questiona o executivo.

De acordo com Souza, a diversificação deve começar com a venda de batatas congeladas com marca própria. De certa forma, a São Salvador já tem alguma experiência no segmento de batatas congeladas, conforme Souza. Atualmente, a empresa distribui o produto para a companhia americana Midbell.

A estreia na área de vegetais com marca própria é apenas a primeira etapa. Num segundo momento, a São Salvador pretende vender produtos à base de carne suína. "Não pensamos em produzir suíno, por enquanto. Queremos vender só a marca, mas para isso, precisamos encontrar parceiros", explica Souza.

Pelas estimativas do executivo, a estratégia de diversificação deve fazer com que os novos produtos – vegetais, carne suína, entre outros – sejam responsáveis por cerca 10% da receita líquida da companhia dentro de dois anos.

Ao investir em novos segmentos, a São Salvador se aproxima da estratégia de outra empresa regional de frango, a paranaense GTFoods, que intensificou neste ano sua atuação na distribuição de alimentos com marca própria, apostando em produtos como batatas congeladas, pão de queijo e até bacalhau.

O pano de fundo dessa estratégia diz muito sobre as margens do setor de frango. O executivo da São Salvador não comenta mas, em entrevista ao Valor em maio, o gerente de vendas da GTFoods, Merlin Machado, afirmou que a estratégia deve ajudar a incrementar a rentabilidade da empresa. "O frango é uma commodity pura, que trabalha com margens apertadas", disse à época.

No caso da São Salvador, as margens de operação apertadas são ainda mais evidentes. A empresa só intensificou a produção de cortes de frango neste ano. "Começamos a cortar e a desossar mais neste ano", afirma Souza. A empresa também produz salsicha e mortadela de frango.

Para os próximos dois anos, a empresa quer elevar os abates do frigorífico de Itaberaí, na região de Anápolis (GO), das atuais 220 mil cabeças diárias para 320 mil. Segundo ele, o incubatório da empresa tem capacidade para produzir 11 milhões de ovos por mês, número que seria suficiente para ampliar os abates no volume esperado.

Com a maior produção de frango, a São Salvador pretende ampliar as exportações da companhia, que são "pequenas". "Queremos exportar 20% do volume produzido", afirma o executivo. Hoje, as exportações da empresa são destinadas, principalmente, a Hong Kong, Japão e União Europeia.

No mercado brasileiro, a marca SuperFrango detém uma participação de mercado de cerca de 25% em Goiás, de acordo com Souza. Conforme o executivo, Brasília e Goiás respondem por 60% do faturamento da companhia.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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