Documento incompleto

Cerca de 75% do documento final da Rio%2b20 ainda está incompleto, com propostas sem consenso. A afirmação foi feita pelo embaixador Luiz Alberto Figueiredo, secretário executivo da Comissão Nacional para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, na tarde de ontem. Figueiredo, entretanto, avalia que o ritmo das negociações já melhorou – esta quarta-feira foi o primeiro dia da última rodada de negociações formais antes da cúpula dos chefes de Estado, na semana que vem. A mesa de negociações anterior, em Nova York, foi considerada muito difícil pelos diplomatas envolvidos. A ideia é que, hoje, no segundo dia, haja novos avanços.

O secretário-geral das Nações Unidas para a Rio%2b20, Sha Zukang, pediu para os negociadores acelerarem as conversas, a fim de que a conferência possa chegar a um "documento ambicioso". "Precisamos acelerar o ritmo das negociações. O mundo inteiro está olhando para nós e não podemos decepcioná-los", disse. Os negociadores foram divididos em dois grupos de trabalho para agilizar os debates. Zukang afirmou que metas voluntárias de governos, empresários e indústrias, a exemplo da adotada pelo Brasil sobre desmatamento, são mais fáceis de serem aprovadas.

Figueiredo confirmou que uma das propostas na mesa de negociação apresentada pelo G-77 – grupo que representa os interesses de mais de 130 países em desenvolvimento – foi a criação de um fundo para o desenvolvimento sustentável, orçado em US$ 30 bilhões anuais. "Essa é uma proposta que conta com respaldo do grupo e faz parte da negociação que está sendo conduzida", explicou Figueiredo. Mas a ideia não é unânime entre os países ricos. "Os tradicionais doadores estão atravessando momentos difíceis, mas estamos conseguindo chegar num momento de ajuste fino", completou.

Impasses

A tendência é que, até amanhã, quando termina esta última rodada de negociações, tenham diminuído os impasses, como o número e o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs), ou sobre o papel que deverá ter o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) a partir de agora.

O Brasil defende que a inclusão social seja um compromisso presente no documento final. Países europeus acreditam que o foco deve ser no meio ambiente. "Não vemos espaço para pensar em desenvolvimento sustentável sem pensar na erradicação da fome e no combate à pobreza. Tudo está ligado", defendeu um diplomata integrante da delegação brasileira. (GA)

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE – DF

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