Do barro às telas: os 50 anos do Parque de Exposições Assis Brasil

Palco de mais uma edição da Expointer, local tem meio século de história, transformações e atualizações tecnológicas

  • À esquerda, desfile da primeira Expointer, em 1972, dois anos depois da inauguração do parque e, à direita, o parque atualmente

    À esquerda, desfile da primeira Expointer, em 1972, dois anos depois da inauguração do parque e, à direita, o parque atualmente | Foto: Acervo Seapdr / Divulgação / CP e Dani Barcellos / Palácio Piratini / CP Memória

    Palco da Expointer, o Parque de Exposições Assis Brasil chegou aos 50 anos há pouco menos de um mês. Desde a inauguração, em 29 de agosto de 1970, o local foi se moldando a uma das maiores e mais tradicionais feiras agropecuárias da América Latina. Neste ano, sediará um evento muito mais enxuto do que o de costume, mas inovador, que ficará guardado nas memórias do cinquentenário por seu conteúdo virtual.

    Esteio se tornou o endereço da Exposição Estadual de Animais depois de o Estado adquirir uma área da família Kroeff no município. Na época, o local possuía pouca estrutura, suficiente apenas para abrigar os animais. O ex-secretário da Agricultura, Odacir Klein, conta que, até os anos 80, a Expointer era preponderantemente pecuária. Não havia grande parte das áreas administrativas, nem as instalações dos bancos e de diferentes entidades que hoje se concentram no parque. “No espaço onde hoje fica a agricultura familiar não tinha nada”, descreve.

    Para tornar a feira atrativa às empresas de máquinas e implementos agrícolas na época, o Estado precisava providenciar o transporte dos maquinários até o local. “As despesas eram grandes e o poder público se encarregava de buscar os equipamentos”, recorda o servidor de carreira da Secretaria da Agricultura, zootecnista Paulo Demoliner, que dirigiu o parque durante 25 anos, em períodos diferentes.

    Segundo Demoliner, para potencializar a participação da indústria, em 1990 foi aberto, nos fundos do parque, um espaço para as “máquinas em movimento”, onde as empresas podiam fazer exibições dos produtos. Foi a partir daquele episódio que se começou a debater a expansão da área, o que acabou acontecendo em 1998, com a compra de 77 hectares, que se somaram aos 64 hectares que o parque já tinha.

    A partir deste incremento de área, Demoliner conta que foi possível construir espaços novos destinados aos equinos e estacionamento no terreno dos fundos. O espaço mais amplo permitiu também um acerto entre o setor de máquinas e o governo da época. O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier, conta que, até o início dos anos 2000, as indústrias exibiam seus produtos em um “lugar apertado”, entre o Pavilhão Internacional e o prédio da Administração. Depois, o Simers conseguiu deslocar a exposição das máquinas para o espaço que ocupa atualmente. “Era uma área toda alagada, mas acreditamos no projeto”, recorda Bier. “No primeiro ano, cerca de 20 empresas participaram. No segundo, 70 e, no terceiro, já tinha indústria brigando pelo metro quadrado”, acrescenta.
    Segundo Klein, assim como o setor das máquinas foi fundamental para o crescimento do parque, as instalações feitas para a agricultura familiar, que qualifica hoje como “um charme da Expointer”, também avançaram no início dos anos 2000. Klein recorda que, na mesma época, uma parceria com empresas privadas permitiu a construção da Central da Imprensa e do Boulevard, ao lado do Pavilhão do Gado de Corte.

    “Em relação aos animais, Demoliner lembra que as mudanças físicas se deram dentro dos pavilhões destinados a eles, como a alteração do tipo de baias, que eram de madeira até os anos 80 e foram substituídas por grades desmontáveis. Também houve a troca do tipo de material usado para a cama dos bovinos, a partir de um incêndio, em 1990, que consumiu a casa de palhas com a Expointer em andamento. “As palhas de trigo e cevada eram trazidas de Cachoeira do Sul e nos demos conta que era mais seguro usar areia ou casca de arroz”, relembra o servidor.

    Futuro

    O atual secretário da Agricultura, Covatti Filho, afirma que um dos desafios é fazer com que o parque continue se modernizando, fortalecendo a Expointer, e receba mais eventos ao longo do ano para ser melhor aproveitado pela sociedade gaúcha. “Assim que acabar a pandemia, vamos trabalhar para que este espaço tenha mais vida em diversas épocas do ano”, adianta.

    Covatti Filho informa que o governo tem buscado orçamentos para investir em energia fotovoltaica no local, a fim de reduzir deficiências neste sentido e atrair outros eventos. Revela ainda que, antes da pandemia, tinha iniciado conversas com empresas interessadas em parcerias público-privadas para o uso de áreas do entorno do parque, pertencentes ao Estado. O secretário diz esperar que o Parque Assis Brasil siga se modernizando para garantir que a Expointer se perpetue como a uma feira de destaque na América Latina. “Vejo um futuro glorioso para o parque, assim como é gloriosa a nossa agropecuária”, afirma.

    Linha do tempo

    As exposições agropecuárias no estado e do Parque Assis Brasil

    • Em 1901 ocorre a primeira Exposição Estadual do Rio Grande do Sul, com animais e produtos agrícolas e industriais, onde hoje é o Parque da Redenção, em Porto Alegre.
    • Com o passar dos anos, a feira torna-se itinerante e passa por vários municípios do Interior. A partir de 1955, é fixada no Parque Menino Deus, em Porto Alegre.
    • Em 1969, o governo do Estado adquire uma área de 64 hectares, pertencente à família Kroeff, em Esteio.
    • Em 29 de agosto de 1970, o parque é inaugurado em Esteio.
    • Em 1972, o parque sedia a primeira Exposição Internacional de Animais, com a participação de diversos países. Nesse ano, o evento recebe a denominação de Expointer. Na época, o parque possuía 22 mil metros quadrados de área coberta.
    • As esferas que se transformariam em símbolo do parque foram instaladas pela delegação da Alemanha e presenteadas ao Estado em 1974, ano do sesquicentenário da imigração alemã.
    • Em 1977, a área que sedia a Expointer recebe a denominação de Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em homenagem ao produtor rural e político gaúcho Joaquim Francisco de Assis Brasil (1857-1938).
    • Em 1998, ocorre a ampliação da área total do Parque de Exposições Assis Brasil, passando de 64 para 141 hectares.
    • Em 1999 ocorreu a primeira Feira de Agricultura Familiar na Expointer, com 30 expositores.
    • Em 2002, empresas de máquinas e implementos agrícolas passam a ocupar uma área que hoje se estende por 13 hectares.
    • Em 2012, ocorre o lançamento da maquete de remodelação do Parque Assis Brasil, projeto que buscava movimentar o parque durante todo o ano.
    • Em 2015, a parceria público-privada é assinada entre o governo estadual e a construtora Bolognesi, prevendo construção de hotel, agroshopping e área de eventos. A empresa se encarregaria da construção de um dique para proteger o parque de alagamentos e teria 10 anos para fazer os investimentos privados na área concedida.
    • Em 2018, foi desfeita a parceria público-privada com a Bolognesi.
    • Em 2018, foi inaugurado o novo Pavilhão da Agricultura Familiar, com 7 mil metros quadrados.
    • Por Cíntia Marchi
    • Fonte : Correio do Povo

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