Dália pretende dobrar o faturamento até 2030

A Dália Alimentos dá um passo importante rumo ao futuro nesta segunda-feira (17). A cooperativa de Encantado realiza os primeiros abates do novíssimo complexo avícola, erguido em Arroio do Meio com investimentos de R$ 100 milhões.

Antes focada em produção de leite e carne suína, a entrada da Dália no mercado de aves é uma aposta na demanda pela proteína, que irá crescer nos próximos anos.

Assim como a expectativa de faturamento da cooperativa: deve passar do R$ 1,4 bilhão do ano passado para R$ 3,1 bilhões em 2030.

Presidente executivo da Dália Alimentos, Carlos Alberto de Figueiredo Freitas conta que, neste primeiro momento, a unidade realizará um abate médio de 11 mil frangos por dia – quando estiver operando plenamente, este volume poderá chegar a 165 mil frangos por dia. "Estamos começando aos poucos, e nossa expectativa, já neste ano, é de faturar R$ 113 milhões com o negócio aves", explica.

A entrada neste mercado é um desafio para a Dália, que iniciou as atividades há 73 anos como Cooperativa dos Suinocultores de Encantado (Cosuel). As principais áreas de produção são laticínios e carne suína, e devem seguir assim por um bom tempo. "O leite hoje é nosso maior negócio por que a atividade leiteira tem uma importância social muito grande. Envolve um bom número de agricultores familiares, e toda uma cadeia de produtores de grão, ração, suínos etc", conta Freitas.

Em 2019, a Dália aproveitou a demanda global por alimentos para turbinar as exportações.

Da produção de suínos, 20% teve como destino o mercado externo, e a expectativa é de que aumente para 25% neste ano. "A China importou carne do mundo inteiro ano passado e, neste ano, a estimativa é de que o país asiático aumente em 15% seus pedidos. Com isso e o dólar valorizado, compensa mais exportar", esclarece Figueiredo.

"Por outro lado, os preços das carnes no mercado interno seguirão pressionados", avisa. O presidente executivo da Dália esclarece que o câmbio desfavorável ao real também aumenta os custos de produção da cooperativa. "Nós importamos muita coisa, como genética de grãos, genética de suínos, fertilizantes e medicamos para a cadeia animal", lamenta Freitas.

Pelo planejamento da Dália para os próximos 10 anos, a cadeia de suínos apresentará um leve crescimento, enquanto os volumes irão triplicar na divisão de frangos. Para os lácteos, a cooperativa pretende dobrar a produção com a capacidade atual de processamento.

Segundo o executivo, "o cenário mais forte para o leite inclui uma expectativa de aumento na renda da população. Não podemos esquecer também que o produtor rural precisa ter rentabilidade, para poder continuar com seu negócio", pondera.

A planta que começa hoje a abater frango tem 18 mil metros quadrados e está dividida nos setores recepção, sangria, escaldagem, evisceração, pré-resfriamento, cortes, produção de Carne Mecanicamente Separada (CMS), produtos temperados, embalagem primária e embalagem secundária, congelamento e resfriamento, estocagem e expedição. O maquinário e os equipamentos instalados na unidade possuem alta tecnologia – são 23 máquinas de grande porte, algumas importadas de outros países, principalmente da Holanda.

Essa operação, conforme Freitas, é emblemática porque marca a nova Dália. A cooperativa profissionalizou a gestão e o quadro social, estendeu de quatro para 10 anos o prazo de seu planejamento estratégico e ainda mudou a razão social de Cooperativa dos Suinocultores de Encantado para Dália Alimentos. "Estamos muito além de Encantado, estamos presentes em 130 municípios gaúchos. Valorizamos nossa história, mas a Dália hoje é uma marca forte, que exporta e atua em uma cadeia integrada de produção", completa.

Fonte: Jornal do Comércio

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