Discussões serão levadas à conferência Rio+20

ANTONIO PAZ/JC
Organizadores propõem discussão sobre justiça social e ambiental

Organizadores propõem discussão sobre justiça social e ambiental

Com o tema “Sem justiça social e ambiental não há futuro”, o Fórum da Igualdade tem dois motes específicos, nesta edição que começa na segunda-feira. Além do objetivo de fazer um contraponto ao Fórum da Liberdade (organizado desde 1988 pelo Instituto de Estudos Empresariais), o evento busca produzir consensos a serem encaminhados à Cúpula dos Povos (realizada por movimentos sociais) e à Rio+20 (conferência da Organização das Nações Unidas), que acontecem simultaneamente em junho no Rio de Janeiro.
O Fórum da Igualdade foi idealizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS) e executado em conjunto com outras entidades, tendo reunido cerca de mil participantes em 2011. Nesta segunda edição, o encontro acontece entre os dias 16 e 17 de abril no salão de eventos da Igreja Pompéia, na mesma data do Fórum da Liberdade. “Não há liberdade sem igualdade”, afirma o presidente estadual da CUT, Celso Woyciechowski.
De acordo com Mauri Cruz, diretor-executivo do Instituto de Direitos Humanos e um dos organizadores do Fórum Social Temático (FST) 2012, o Fórum da Igualdade dá continuidade às discussões desencadeadas na etapa temática do Fórum Social Mundial e deve auxiliar a construir uma ponte entre os dois encontros que serão realizados no Rio de Janeiro. “Nós temos que conseguir uma interlocução entre a Cúpula dos Povos e a Rio+20, para que, de alguma forma, nossas propostas tenham impacto na agenda oficial”, argumenta Mauri.
Woyciechowski afirma que o grande desafio dos movimentos sociais é fazer as alternativas discutidas nestes fóruns serem encampadas como políticas de Estado. O sindicalista cita o exemplo da produção de alimentos, na qual predomina o uso de agrotóxicos, com crescimento da utilização de tecnologias transgênicas.
“Como é que se faz uma reconversão desta cadeia produtiva, seja do milho, da soja, do feijão, do arroz, e assim por diante?”, pergunta, para em seguida responder: “É preciso que o Estado forneça incentivos para que a produção de orgânicos se desenvolva”, defende. O tema será discutido em duas oficinas, em 16 de abril, coordenadas pelo técnico do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária Leonardo Melgarejo.
O presidente da CUT entende que a justiça social e a ambiental não podem ser promovidas separadamente. Ao criticar o termo “economia verde” usado para a conferência da ONU, afirma que existe a necessidade de mudar o modelo de desenvolvimento mundial centrado no estímulo exacerbado ao consumo. “Mas é necessário encontrar uma solução sem promover o desemprego”, preocupa-se.
Para haver redução das desigualdades, o presidente do Instituto de Justiça Fiscal, Dão Real Pereira dos Santos, propõe a mudança no sistema tributário brasileiro. Segundo Santos, de 20 anos para cá, passamos a ter um sistema regressivo, no qual quem tem a menor renda paga mais impostos. “O sistema deveria ser progressivo: quem ganha mais paga mais”, sugere.

Fonte: Jornal do Comércio |  Alexandre Leboutte

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