DISCURSO DE MEDIAÇÃO EM AUDIÊNCIA DESAGRADA

Equipe do Ministério da Justiça deve vir ao Estado na próxima semana

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ontem que aposta na mediação como forma de avançar na disputa de terras entre agricultores e indígenas. Convocado para falar à Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados sobre a morte de dois agricultores, no dia 28 de abril, em Faxinalzinho, no Norte do Estado, o ministro afirmou que ‘nenhum tipo de crime será tolerado’. Uma equipe do Ministério da Justiça deve vir ao RS na próxima semana para tratar de demarcações nas áreas de Mato Preto (Getúlio Vargas, Erechim e Erebango), Passo Grande do Rio Forquilha (Sananduva e Cacique Doble), Votouro Kandóia (Faxinalzinho e Benjamin Constant do Sul), Rio dos Índios (Vicente Dutra) e Irapuá (Caçapava do Sul). ‘Há pessoas não dispostas a negociar, dos dois lados.’. ‘A mediação é a única saída viável para evitar que a solução de conflitos venha por via judicial, o que poderia resultar em anos de espera até a decisão final.’

Como exemplo, citou o êxito em processos de mediação coordenados pessoalmente por ele em Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. O secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, também participou da audiência.

O discurso desagradou ruralistas e indígenas. ‘Essa mesa de negociação que ele estabeleceu não tem obtido resultados, tanto quanto a política indigenista que o governo tem praticado’, disse o coordenador da Comissão de Assuntos Fundiários da Farsul, Paulo Ricardo de Souza Dias. Segundo ele, Cardozo tem de vir ao RS, mas com solução. ‘Não adianta ele vir aqui causar mais tensão, assim como ele já causou.’

O cacique Zaqueu Kaingang, líder da Federação das Organizações Indígenas do RS, declarou que ‘os povos indígenas estão cansados de dialogar’. ‘Tem de ir mais para a questão técnica e prática, da elaboração de trabalhos’, argumentou. Disse que busca reunião das lideranças indígenas com Cardozo.

O deputado Luis Carlos Heinze, um dos autores do requerimento que convocou o ministro, disse entender que o processo de demarcação em Faxinalzinho é ilegal. Ele lamentou que o governo não quer resolver o impasse. ‘Infelizmente nada de concreto aconteceu’, disse.

Fonte: Correio do Povo

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