Diretor do Banco do Brasil vê nova fase do sistema bancário

O Banco do Brasil iniciou em abril, impulsionado pelo governo, a queda do spread bancário, e foi seguido pelas demais instituições privadas. Junto, o Comitê de Política Monetária (Copom) fez sucessivos cortes na taxa básica de juros (Selic), atualmente em 8,50% ao ano, com perspectiva de atingir 8% no final de 2012. Diante do novo cenário, a tendência é de mudança do mercado de crédito brasileiro, segundo o diretor de Distribuição do BB, Walter Malieni Júnior, já que os bancos tendem a elevar o grau de eficiência de suas operações para ganhar no volume e compensar a menor rentabilidade dos investimentos da área de tesouraria.

De acordo com dados do Banco Central, até abril a participação do crédito no Produto Interno Bruto (PIB) chega a 49,6%. Malieni detalha que anteriormente, com spread maior, a metodologia da concessão era mais abrangente, mas não atingia todos os clientes. "Tem que trabalhar mais metodologias, focar no público A, B ou C. Tem que haver uma customização em massa. O crédito será em massa, mas customizado para aquele setor. A tendência é que fique mais elaborado." A palavra de ordem do momento, na opinião do executivo, é comprar ativos de risco, ou seja, atingir clientes antes considerados inadequados.

"O dinheiro parado vai valer menos e as instituições financeiras terão que ter um grau de eficiência maior. Os bancos terão que emprestar mais, como já ocorre lá fora. Se comparar os ativos de um banco do exterior com aqui, é uma diferença enorme."

O diretor explica que o acesso das pessoas de baixa renda ao crédito começa a ser trabalhada no BB por meio do Banco Postal, que utiliza a rede de mais de 6,1 mil agências dos Correios. "Tem a pequena costureira que precisa de capital de giro e via Banco Postal tem acesso como pessoa física". Hoje, os serviços prestados incluem abertura de contas correntes, poupança, saques e benefícios do INSS, pagamento de contas, solicitação de cartão, empréstimos para pessoa física, jurídica e transferências.

"Um papel complementar do Banco Postal. Em algum momento, terá uma integração maior ainda. Veremos aquele pronafiano [agricultor tomador da linha PRONAF] que vai tomar R$ 1,5 mil pelo Banco Postal."

Ao ser questionado se os bancos nacionais tem capacidade para atender a demanda, sem riscos, o diretor é enfático ao dizer que sim. "Estão preparados porque a nossa regulamentação é forte. Se estivesse lá fora, poderia ser diferente, mas no País são muito robustos". Outra mudança mencionada está no alongamento dos prazos. "Uma operação de desconto de duplicata, por exemplo: vai ter que alongar o prazo para ganhar dinheiro. A rolagem das dívidas será um processo mais natural, porque os bancos terão que rolar seus ativos. Tenho convicção de que será uma mudança bem grande."

Até 28 de maio, o programa de corte das taxas de juros do Banco do Brasil, BomPraTodos, somou 295 mil adesões entre antigos e novos clientes. No produto Crédito Direto ao Consumidor (CDC) para a aquisição de veículos, a média diária de desembolsos passou de R$ 11,2 milhões para R$ 33 milhões, o que corresponde a um crescimento próximo a 200%. Em consignado, a média elevou de R$ 7,8 milhões para 11,2 milhões, alta de 44% em dois meses. "A questão da taxa começou a entrar no mapa mental do consumidor brasileiro."

Internacionalização

No último ano, o Banco do Brasil adquiriu em abril 100% das ações do capital social do banco norte-americano EuroBank, pelo valor de US$ 6,0 milhões, e assumiu o controle do Banco Patagonia, da Argentina, por meio da aquisição de 51% do capital.

Walter Malieni Júnior enfatiza que o processo de internacionalização não sofre influência da crise econômica internacional, mas que a instituição está focada em consolidar as operações. "Analisamos oportunidades, mas está no processo de absorção do que já foi comprado. O Eurobank, apesar de parecer pouco com quatro agências, foi uma boa aquisição até porque o mercado norte-americano é diferente." Ao todo, a instituição pública possui 49 unidades em 24 países.

Fonte: DCI – SP

Um comentário em “Diretor do Banco do Brasil vê nova fase do sistema bancário

  1. o crédito tem que focar na agricultura e na pecuaria,que esta salvando o Brasil e vai continuas salvando

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