DIRETO AO PONTO – Expointer – Debate CP Rural: Desafios para o escoamento da safra

É notória a falta de infraestrutura do Rio Grande do Sul, que depende muito do modal rodoviário

Desafios para o escoamento da safra foram discutidos no debate | Foto: Guilherme Testa

Desafios para o escoamento da safra foram discutidos no debate | Foto: Guilherme Testa

A greve dos caminhoneiros, em maio deste ano, expôs de forma dramática um problema que há muito já é percebido pelo setor agropecuário: a falta de infraestrutura para o escoamento da produção. A dependência do modal rodoviário provocou uma situação de caos, que segundo a CNA causou um prejuízo de R$ 6 bilhões após nove dias de paralisação. Como consequência, surgiu a nova tabela do frete, que vem desagradando o setor rural.
O preço dos combustíveis e a má conservação das estradas também estão entre os problemas na hora de transportar a safra. O impacto do gargalo logístico na safra 2018/2019 foi o tema de mais uma etapa dos Debates do Correio do Povo Rural, que segue até esta quinta-feira na Casa do CP no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

A discussão ganha força a cada safra, tendo em vista a tendência de crescimento na produção gaúcha de grãos. Para o ciclo 2018/2019, a Emater prevê novo recorde, com estimativa de 31,5 milhões de toneladas com os principais grãos produzidos no Rio Grande do Sul. Segundo o presidente da CCGL, que opera o terminal Termasa/Tergrasa do Porto de Rio Grande, Caio Cezar Vianna, o impacto da logística para esta safra poderá ser maior ou menor dependendo do ritmo da comercialização, que está relacionado com a flutuação dos preços. "Quando os preços estão atrativos, o produtor faz muita liquidação e aí o aperto logístico é muito maior. Mas independente disso, na boca da safra temos ‘estrangulamento’", afirmou, citando a capacidade de armazenagem, condições das estradas e do porto. Embora no Porto de Rio Grande o problema do estrangulamento tenha sido atenuado pelo agendamento das cargas, novos investimentos são necessários, conforme Vianna.
O grupo CCGL, que opera 70% das cargas de soja do Rio Grande do Sul, conta com projeto para ampliação na sua capacidade de operação. Com isso, seria possível praticamente dobrar o volume de carregamento, que hoje é de 6 mil toneladas por hora. A iniciativa, porém, ainda depende de questões burocráticas e autorização dos órgãos competentes. Segundo Vianna, o investimento é essencial para que o Rio Grande do Sul não tenha um "colapso" no que se refere ao transporte de grãos. "Com o aumento da produção, especialmente na Metade Sul, passamos a ter um volume maior de produção do que a capacidade do porto de escoar", observou.

Guilherme Testa

Além dos velhos problemas do transporte rodoviário, o Rio Grande do Sul paga o preço por não ter investido em outros modais para escoar a produção, como o ferroviário e o hidroviário. Entusiasta do uso de ferrovias, o presidente do Sindicato Rural de Manoel Viana, Caio Nemitz, salientou que a falta de manutenção das artérias que conduzem ao Porto de Rio Grande ? destino de grande parte da produção gaúcha? deixa um alerta de que os custos irão aumentar para a próxima safra, tanto para quem produz quanto para quem consome. "É urgente que o Rio Grande do Sul olhe para isso como uma estratégia de Estado. Precisamos adequar a legislação e atrair capital para que sejam feitos investimentos em obras de infraestrutura que vão possibilitar melhorar a nossa logística", destacou, acrescentando que nos últimos 20 anos o Estado duplicou sua produção agropecuária, mas em contrapartida diminuiu o uso do transporte ferroviário e hidroviário.
O problema logístico tem feito com que as empresas e cooperativas ampliem a sua capacidade de estocagem. Por outro lado, muitos produtores também têm investido em bolsas-silo. O produtor e veterinário Marcio Sudati Rodrigues, secretário da Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC), alertou no entanto que os riscos persistem, inclusive o de intempéries climáticas e até roubo. Destacou ainda que o gargalo logístico deve impactar principalmente no preço pago ao produtor. Os entraves começam nas estradas municipais e consequentemente no preço do frete, até chegar ao porto. “Precisamos desburocratizar para que ocorram investimentos e parcerias público-privadas (PPPs) para melhorar a infraestrutura dentro dos municípios e aumentar o carregamento do Porto de Rio Grande, para minimizar os prejuízos”, apontou. “Como a safra é grande, nosso porto não tem a capacidade de atender essa safra num tempo bom de escoamento, então temos muita dificuldade de conseguir cotas”, completou

Caio Vianna

Não vejo alternativa a não ser avançar nos contratos de concessão de estradas, portos e armazenagem.

Caio Vianna, Presidente da CCGL

Márcio Sudati Rodrigues

O impacto direto é através dos custos e do preço pago ao produtor dentro da fazenda.

Márcio Sudati Rodrigues, Secretário da ANC

Caio Nemitz

Precisamos adequar a legislação e atrair capital para que sejam feitos investimentos.

Caio Nemitz, Presidente do Sindicato Rural Manoel Viana

Fonte : Correio do Povo

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