Diferença entre rural e urbano é nula, diz Ipea

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2018 rebate a tese de que a idade média de cessação da aposentadoria por idade dos brasileiros que vivem na área rural seja inferior ao da área urbana. Segundo simulações feitas pelos economistas Leonardo Alves Rangel, Luis Henrique Paiva e Matheu Stivali, as variações das taxas de cessação por morte relevantes são as existentes entre homens e mulheres (com vantagem para as mulheres) e não entre as clientelas urbana e rural. Por essa análise, não há justificativa o trabalhador rural se aposentar, por idade, com cinco anos a menos que aqueles que estão nas cidades.

O texto mostra que 75% das beneficiárias da previdência na área rural com mais de 67 anos vivem mais que 13,1 anos e 50% delas mais de 20,8 anos, ou seja, até 80,1 anos e 87,8 anos, respectivamente. No caso das mulheres da área urbana, 75% vivem até 81,5 anos e 50% até 89,5 anos. Entre os beneficiários homens da clientela rural com mais de 67 anos, 75% vivem mais de 10,3 anos (84,75 anos) e 50% mais de 17,75 anos (83,3 anos). Considerando os beneficiários homens da zona urbana, 75% vieram mais 9,58 anos (76,58 anos) e 50% mais 16,33 anos (83,33 anos).

Os indicadores sociais e de saúde da população rural são piores do que os observados na área urbana, mas a população rural é relativamente pequena no Brasil. "Não parece, portanto, haver justificativa para defender um esquema específico de proteção previdenciária para os trabalhadores rurais com base no argumento de proteção contra vulnerabilidades sociais e, ao mesmo tempo, deixar sem cobertura desse esquema a maioria dos afetados por essas vulnerabilidades que vivem e trabalham na área rural", completa.

Por Edna Simão | De Brasília

Fonte : Valor

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