Diferença de preços entre o trigo gaúcho e o paranaense é recorde

De acordo com o Cepea, produtores do Rio Grande do Sul recebem 22,6% a menos pelo cereal

Nestor Tipa Júnior

ANTONIO PAZ/JC

Sperotto afirma que preço baixo trava a venda do trigo gaúcho

Sperotto afirma que preço baixo trava a venda do trigo gaúcho

Os preços do trigo gaúcho estão 22,6% menores do que o cereal colhido no Paraná na média de janeiro. A avaliação consta em relatório do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. A diferença de valor entre os dois estados é de R$ 172,08 por tonelada, o maior da série iniciada em 2002. Enquanto os paranaenses receberam R$ 762,62 por tonelada, para os gaúchos a cotação é de R$ 590,54.
A diferença dos preços do trigo em 2012 foi, em média, de R$ 43,00 a tonelada, mas, em 2013, o valor passou para R$ 129,00 a tonelada. Segundo o informativo do Cepea, citando dados da Farsul, estima-se que, das 3,17 milhões de toneladas colhidas, haja cerca de 2 milhões de toneladas de trigo gaúcho aguardando negociação, enquanto, no Paraná, conforme dados do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura do Estado, 84% das 1,87 milhão de toneladas já foram comercializadas.
A analista do Cepea, Renata Maggian Moda, explica que, além da quebra de safra no Paraná por causa de geadas durante o desenvolvimento da cultura, os produtores daquele Estado colhem primeiro que os gaúchos e já negociaram a safra assim que o cereal estava disponível, buscando os melhores preços. “Agora que entrou toda a safra e também está sendo colhida a safra da Argentina, as cotações estão sendo pressionadas. A safra do Rio Grande do Sul entra no mercado no mesmo momento que a da Argentina, e isso gera uma competição”, avalia.
Renata afirma que as indústrias tradicionalmente esperam, nesta época do ano, a entrada do trigo argentino no mercado e diminuem o ritmo de compras da produção nacional. Além dos problemas climáticos, que também atingiram o país vizinho, o governo estabeleceu cotas de saída do cereal, o que obrigou os moinhos a buscar trigo em outros mercados, como os Estados Unidos. “Como a Argentina teve problema de abastecimento interno, o governo está priorizando o mercado argentino para ver o quanto vai sobrar para exportar”, explica a analista.
O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, confirma que as vendas do trigo gaúcho no mercado ainda estão travadas. De acordo com o dirigente, os produtores esperam um preço mais justo pelo cereal, que tem a qualidade suficiente para atender à demanda industrial, como foi divulgado na semana passada, em pesquisa da Embrapa Trigo e da Universidade de Passo Fundo (UPF), na qual análises indicam que 51% da produção do Estado são aptas para a panificação. “O Rio Grande do Sul colheu uma safra com a qualidade pedida pela indústria. Os preços aqui praticados ainda não atingem o grau de qualificação que objetivamos”, salienta.
A análise do Cepea informa que, entre 21 e 28 de janeiro, no mercado balcão (preço pago ao produtor), as cotações ficaram estáveis tanto no Paraná quanto no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociações entre empresas), as cotações tiveram pequenas valorizações de 0,4% tanto no Paraná quanto em São Paulo (Capital). Já no mercado gaúcho, houve recuo de 1,5%.

Fonte: Jornal do Comércio

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