Desempenho do Estado é fraco em leilão eólico

Concorrência com os projetos desenvolvidos nos estados do Nordeste é uma das dificuldades a serem superadas pelos gaúchos

Jefferson Klein

Apesar de o Rio Grande do Sul possuir bom potencial e 460 MW de capacidade eólica já instalada (o que corresponde a cerca de 13% da demanda média do Estado), os projetos gaúchos não têm conquistado bons desempenhos nos últimos leilões de energia. Esses mecanismos, criados pelo governo federal, possibilitam a comercialização de energia (e, por consequência, a concretização das usinas) dos projetos que ofertarem o menor preço pela geração. No último certame, disputado na sexta-feira, dos 1.505 MW vendidos, o Estado ficou responsável apenas por 80,5 MW.

A vencedora gaúcha foi a Enerfin, empresa do grupo espanhol Elecnor, que possui parques operando em Palmares do Sul e Osório. A companhia viabilizou quatro novos parques: Cabo Verde 4, Cabo Verde 5, Granja Vargas 2 e Granja Vargas 3, todos a serem construídos em Palmares do Sul. O investimento previsto para os complexos é de R$ 305,6 milhões.

O coordenador de Energia e Comunicações da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), Eberson Silveira, admite que o resultado para os gaúchos ficou aquém do esperado. O dirigente recorda que o Rio Grande do Sul habilitou 2.006 MW para participar do leilão (cerca de 23% do total) e só emplacou 80,5 MW (em torno de 5%). Silveira argumenta que, para apontar explicações para esse resultado, é preciso fazer uma avaliação detalhada. No entanto, entre os fatores que certamente contribuem para que o Rio Grande do Sul não tenha uma quantidade maior de parques vendendo energia nos leilões mais recentes, está  a acirrada concorrência com os estados do Nordeste. O integrante da AGDI comenta que, além da abundância de ventos naqueles estados, há uma política agressiva de expansão eólica por lá. A região conta ainda com a presença de fornecedores de equipamentos, como, por exemplo, aerogeradores. Para se ter uma ideia da desenvoltura do Nordeste, a Bahia viabilizou 567,8 MW no leilão de sexta-feira; e o Piauí, 420 MW.

Sobre o sucesso da Enerfin, Silveira lembra que a empresa tem a vantagem do know-how quanto à produção eólica na área em que os novos parques serão instalados. A companhia tem hoje uma capacidade instalada de 50 MW em Palmares do Sul. Inclusive, no penúltimo leilão, realizado em dezembro do ano passado, foi somente a Enerfin, entre os gaúchos, que vendeu energia eólica, 28 MW, a serem implantados justamente em Palmares do Sul. O coordenador de Energia e Comunicações da AGDI acrescenta que aquela localidade da península, entre a Lagoa dos Patos e o oceano, seguindo até São José do Norte, tem um excelente potencial para a geração eólica. Por isso, Silveira antecipa que, futuramente, será necessário reforçar o sistema de transmissão de energia naquela parte do Estado.

Conforme o dirigente, até 2017, com esses recentes 80,5 MW contratados, o Rio Grande do Sul tem garantidos aproximadamente 1,5 mil MW eólicos, por meio de parques que já estão em operação ou que garantiram a comercialização da energia e serão construídos. Esse número crescerá ainda mais com o provável sucesso de outros projetos gaúchos nos próximos leilões.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Energia Eólica do Rio Grande do Sul (Sindieólica-RS), Ricardo Rosito, concorda que o desempenho dos projetos no último certame não foi o que se previa. O empresário argumenta que uma medida que poderia aprimorar a competitividade das companhias eólicas no Estado é o melhor aparelhamento da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Isso poderia acelerar os processos de licenciamento ambiental. “Não somente dos parques eólicos, mas de outras estruturas envolvidas com a cadeia, como as linhas de transmissão”, salienta Rosito.

Fonte: Jornal do Comércio

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