Desempenho de manufaturados ameniza queda das exportações

O desempenho da exportação de manufaturados está contribuindo para os embarques totais caírem menos. Em setembro a exportação de manufaturados teve elevação de 2,9% em relação ao mesmo mês de 2011, levando em conta a média diária, enquanto básicos e semimanufaturados tiveram redução de 7,9% e de 15,6%, respectivamente.

No acumulado de janeiro a setembro a exportação de manufaturados – que inclui desde óleo combustível a máquinas industriais – apresenta queda, mas menor que as demais classes de produtos. Enquanto os básicos, como minério de ferro, e os semimanufaturados, como açúcar e celulose, tiveram redução de 5,4% e de 11%, respectivamente, manufaturados caíram 2,4%. O comércio exterior superou, em setembro, os efeitos das greves na fiscalização sanitária e na Receita Federal, e registrou um saldo positivo de US$ 2,56 bilhões. Neste ano, o superávit acumulado é de US$ 15,7 bilhões.

Para economistas, o bom desempenho das vendas aos Estados Unidos, segundo destino mais importante do Brasil, contribuiu para a evolução dos manufaturados. No acumulado até setembro a exportação brasileira aos americanos cresceu 11% enquanto as vendas totais do Brasil ao exterior caíram 4,9%. Cerca de 45% dos embarques brasileiros aos Estados Unidos são de manufaturados. Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), lembra outros fatores que também contribuíram. Os manufaturados foram menos afetados pela queda de preços e, além disso, os produtos da indústria de transformação começaram a mostrar, mais recentemente, reação nos volumes exportados em alguns segmentos.

A forte queda no preço internacional de minério de ferro, de US$ 129 por tonelada no ano passado para US$ 100 em média neste ano provocou a frustração, nas exportações, de receitas equivalentes a US$ 6,7 bilhões, segundo a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres. Apesar da queda de 23,5% nas exportações em relação a setembro do ano passado, as vendas de US$ 1 bilhão em soja em grão, somadas às exportações de US$ 606 milhões em farelo de soja (um aumento de 30%) surpreenderam especialistas, que imaginavam queda maior, já que boa parte da safra teve vendas antecipadas com a melhoria dos preços no início do ano.

Uma única operação, a venda de equipamento para fabricação de celulose para a Venezuela, por US$ 145 milhões, influenciou no desempenho de exportações de manufaturados, que foi impulsionada principalmente pelo aumento nas vendas de óleos combustíveis (US$ 325 milhões, 184% acima do valor de setembro de 2011), etanol (US$ 331 milhões, um aumento de 150%, principalmente aos Estados Unidos) e motores e geradores elétricos (US$ 215 milhões, 53% a mais que no mesmo mês do ano passado).

"É notável o aumento de exportações de manufaturados, e compensa em parte a queda nas vendas à Argentina", comentou o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. "Já devemos estar sentindo os efeitos de medidas como a desoneração das folhas de pagamento, o Reintegra, a desvalorização do real", avaliou o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca. O Brasil teve queda, porém, na venda de aviões (-14%) e motores e partes para veículos (-11%).

Com aumento principalmente das exportações de produtos como suco de laranja, etanol e motores e turbinas de aviação, mas também de produtos industrializados, o Brasil aumentou em quase 5% as vendas aos EUA, que ampliaram sua fatia no mercado mundial para produtos brasileiros, de menos de 10% entre janeiro e setembro de 2011 para 11,5% neste ano. Já a Argentina reduziu em pouco mais de 25% as compras do Brasil em setembro, em comparação a setembro do ano passado. Acumulou uma queda de 20% nas importações de mercadorias brasileiras neste ano e reduziu sua participação no mercado para o Brasil de quase 9% nos primeiros nove meses de 2011 para 7,5% neste ano.

Para Tatiana Prazeres, a forte retração do mercado argentino se deveu à desaceleração na economia mundial, à queda de preços internacionais e às barreiras impostas pelo governo vizinho a importações, como forma de garantir uma melhoria nas contas externas do país.

A secretária argumentou que, embora não se possa falar de uma normalização no comércio bilateral, desde julho, quando autoridades dos dois governos se reuniram para evitar uma guerra comercial, as importações argentinas vêm crescendo, mês a mês. Em setembro, o aumento nas vendas brasileiras ao vizinho foi de 7,4%.

Calculando-se pela média diária, o Brasil reduziu em 4,7% as importações de bens duráveis, principalmente pela queda de 14% nas importações de automóveis, mas aumentou em 2% a compra de máquinas e equipamentos para investimento na indústria e em 7,5% a importação de bens de consumo não duráveis, principalmente produtos de toucador, alimentos e remédios.

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Fonte: Valor |  Por Sergio Leo, Eduardo Campos e Marta Watanabe | De Brasília e de São Paulo

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