Desafios de um ex-BB no ministério

Fonte:  Valor | Mauro Zanatta | De Brasília

Quase seis meses após a posse da presidente Dilma Rousseff e seus 39 ministros, o setor rural terá o primeiro secretário de Política Agrícola nomeado de maneira definitiva. Recém-saído do comando da diretoria de Agronegócios do Banco do Brasil, o paranaense José Carlos Vaz assume o cargo a convite do ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

Cotado para ser vice-presidente do BB, Vaz deixou, na última sexta-feira, a instituição onde trabalhou por quase 30 anos. O executivo substitui o economista Edilson Guimarães, servidor de carreira do ministério.

Ao chegar em meio às discussões sobre o novo Plano de Safra 2011/12, que deve ser anunciado no início de junho, José Carlos Vaz enfrentará alguns velhos desafios da reformulação e modernização da política agrícola. Por determinação do ministro, o executivo terá a missão de mudar a gestão da área, criando metas, prazos de execução e parâmetros específicos.

Wagner Rossi busca criar uma política de longo prazo para antecipar demandas e agir a tempo de evitar problemas futuros. Também estarão no radar do novo secretário uma mudança na ênfase dos pesados subsídios para os estímulos ao uso maciço do seguro rural, além da criação de mais mecanismos de crédito. Profissional de mercado tarimbado, Vaz deve manter a maior parte da equipe técnica da secretaria, considerada preparada e experiente pelo mercado. Alguns temiam a nomeação de outros funcionários do BB, o que poderia dar uma cara de "enclave" privado ao ministério.

A nomeação de José Carlos Vaz agradou os agentes do setor, que veem nele alguém que tem experiência, conhece as dificuldades operacionais, e os três lados da disputa: instituições financeiras, produtores e governo. Entre seus desafios, está o estímulo a instrumentos mais modernos de mercado, como hedge e opções.