Desafio é achar o ponto certo do arroz, do campo à mesa

Na abertura da colheita, ponto alto não foi a produção e, sim, terminal logístico no porto

Mateus Bruxel / Agencia RBS
Na atual safra, área dedicada ao cultivo de Rio Grande do Sul estava estimada em 946 mil hectares, mas ficou em 930 milMateus Bruxel / Agencia RBS

É emblemático o fato de o ponto alto da abertura oficial da colheita de arroz, ter sido o edital que dá a largada na criação de terminal exclusivo de embarques do cereal no porto de Rio Grande, como publicou a coluna. Pelo segundo ano consecutivo, o tempo impactou a produção, complicando ainda mais a vida do agricultor. Acentuou uma crise alimentada por sucessivas frustrações de safra e mercado.

O problema nessa lavoura é tão significativo que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em entrevista a GaúchaZH, reconhece que, sem remuneração, o produtor sairá da atividade. Também acerta quando ressalta que só renegociar dívida não resolve tudo. E é aí que entra o Terminal Logístico do Arroz (TLA).

O desejo de ter um espaço exclusivo é antigo. Diante da demanda global por soja, o arroz perde a preferência quando o grão dourado chega ao porto. E as exportações são vistas como forma de manter o equilíbrio de preços necessário para remunerar a atividade.  Manter e conquistar novos mercados é uma meta.

— Estamos nos adequando ao mercado existente. A preferência pela exportação é para que o preço do arroz tenha remuneração acima do custo de produção. Se houver ajuste grande e o valor reagir internamente, se exportará menos — avalia Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS).

O descompasso entre oferta e demanda no mercado interno reflete, entre outros fatores, recuo do consumo pelo brasileiro do cereal.

— A única maneira de reverter a descapitalização é diminuir a área, plantar nas regiões mais produtivas e ampliar produtividade por meio da rotação com soja e pecuária — entende Velho.

O prenúncio de novas altas em alimentos assusta o consumidor. Mas é preciso encontrar o ponto de equilíbrio para garantir que o arroz renda na mesa, mas também no campo.

Fonte: Zero Hora

16/02/2020 – 20h52minAtualizada em 17/02/2020 – 11h00min

GISELE LOEBLEIN

Compartilhe!