Depois do tomate, preço da batata-inglesa deve registrar alta para o consumidor

Valores em alta ajudam produtores a recuperar prejuízo registrado na safra passada

Depois do tomate, preço da batata-inglesa deve registrar alta para o consumidor Rafael Cavalli/Especial

Safra da batata-inglesa está na reta final no Rio Grande do Sul Foto: Rafael Cavalli / Especial

Vagner Benites

vagner.benites@zerohora.com.br

Uma alta de 168% em 12 meses, como ocorreu recentemente com o tomate, costuma alarmar o consumidor. Agora, a hortaliça que deve assumir o papel de vilã dos preços é a batata-inglesa. O produto já registrou alta de 90,54% nos últimos 12 meses, um aumento só menor do que o do tomate, de acordo com o IPC-S, calculado pela Fundação Getulio Vargas em Porto Alegre. Para efeito de comparação, a inflação medida pelo IPCA de abril de 2012 a março deste ano, utilizada como referência do regime na meta de inflação pelo governo, foi de 6,59%.

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Nesta temporada, fatores como clima, alta no preço dos insumos,do óleo diesel e a mão de obra escassa impactaram a produção de todo o país. No caso da batata-inglesa, depois da produção mais intensa entre dezembro e março, o Estado está no final da safra. Há um segundo período (safrinha) em algumas áreas até junho. A previsão é de que os preços não parem aí: como praticamente todos os produtos agrícolas, a batata ainda deve ficar mais cara com o final da safra.
O que é uma má notícia para o consumidor, porém, pode ser vital para o agricultor. Neste ano, afirmam produtores, os custos estão em alta e a remuneração maior apenas recupera perdas do ano passado, quando um quadro de superoferta derrubou os valores pagos pelas hortaliças no Brasil.

– Em 2012, o custo da saca de 50 quilos foi de R$ 24 e a gente acabava vendendo por R$ 14 – recorda sem saudade o produtor de batata-inglesa Alexandre Fais, de São Francisco de Paula.

Neste ano, o cenário é diferente. O custo de produção da saca,na propriedade, fica em R$ 32 na média,enquanto o valor da venda é de até R$ 60.
– Nos hortigranjeiros, quando o clima atrapalha (uma cultura), por exemplo, atrapalha a todos. Se tem problema com crédito para comprar insumos, o problema atinge todo mundo também – explica o produtor.

Há 18 anos cultivando batata-inglesa e acostumado com as variações do mercado,o produtor não alimenta expectativa de continuar com ganhos em alta em 2014. Fais já prevê redução de 30% nos 300 hectares cultivados neste ano.

– Eu vou diminuir a área. Sempre que uma cultura está em alta, no ano seguinte muitos decidem plantar, e os preços diminuem – alerta.

Entre o frio e as entressafras

Em razão do frio, o calendário das hortaliças é diferenciado no Rio Grande do Sul: a capacidade de cultivo de alguns produtos é limitada de forma cíclica pela baixas temperaturas.
E isso é sentido pelos consumidores na hora das compras.

– As hortaliças são cultivadas em diferentes épocas do ano e isso provoca oscilações nos preços. Quando tem alguma intempérie, os preços sobem. A oscilação é natural e histórica – avalia o engenheiro agrônomo da Emater Antônio Conte.

Em 2013, a produção do tomate foi afetada por doenças no Estado, mas nada comparado à quebra registrada no centro do país em decorrência do excesso de chuva – com reflexo nos preços.

– Neste ano, muitos agricultores conseguiram recuperar um pouco o prejuízo – diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, principal região produtora de hortaliças do Estado.

Ao contrário da maioria das hortaliças, porém, itens como repolho, espinafre, couve-flor e brócolis costumam registrar queda nos preços no inverno, segundo o gerente técnico do Ceasa,Amauri Pereira.A produção de folhosas é afetada, normalmente, pela geada,pela chuva intensa e por temperaturas abaixo de 5ºC.

– Ao consumidor, resta comprar em menor quantidade e pesquisar preços ou mudar o cardápio, aproveitando produtos da estação – recomenda Marcio da Silva, coordenador do escritório do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) em Porto Alegre.

Fonte: Zero Hora

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