Depois da seca, Nordeste espera milho

A escassez de milho no Nordeste, castigado pela seca na safra 2011/12, levou o Ministério da Agricultura a reunir ontem secretários estaduais de Agricultura a fim de acertar a logística para garantir o abastecimento do grão na região. Durante o encontro, foram relembradas as medidas já tomadas pelo governo federal e acertadas ações integradas com os governos estaduais.

O governo combinou com os secretários presentes na reunião que os Estados devem assegurar a mão de obra para descarregar caminhões e produtos, abrir espaço em armazéns e ajudar a providenciar frete para o retorno dos caminhoneiros, com o objetivo de aumentar o interesse do motorista em percorrer longas distâncias.

Além disso, pediu a viabilização de estudos para transportar grãos por hidrovias e portos e um mutirão para resolver problemas técnicos e burocráticos que impedem armazéns e depósitos de receber a commodity. "O governo está acertando com os Estados a logística para receber o milho e evitar que o produto chegue ao seu destino sem ter como ser estocado", afirmou Caio Rocha, secretário de Política Agrícola do ministério.

Até o momento, o governo realizou três leilões de milho para a região, em um total contratado de 141 mil toneladas. No entanto, até a semana passada, somente 52 mil toneladas haviam sido embarcadas para os destinos finais, com grãos provenientes de Goiás e Mato Grosso.

Segundo o governo, os embarques de milho foram realizados apenas em parte devido à greve dos caminhoneiros, que acabou na semana passada. Além do contingente já reduzido, de acordo com o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Rubens Rodrigues, os motoristas estão lucrando mais com fretes curtos – da propriedade ao armazém – do que com viagens longas. "Em 14 dias de frete [entre ida e volta] o caminhoneiro pode tirar R$ 9 mil. Em um trajeto entre lavoura e armazém, rodando uma quantidade semelhante de quilômetros, ele pode tirar R$ 19 mil. Isso sem contar com o menor desgaste do caminhão e quantidade de horas de trabalho", disse.

A demanda por milho cresceu em todo o Nordeste. Antes da seca, 21,65 mil criadores haviam se cadastrado para participar dos leilões. Depois da estiagem, esse número passou para 90,9 mil, alta de 281%. Pernambuco, que contava inicialmente com 170 produtores na lista, passou a somar 8,2 mil, um salto de 4.723%. Alagoas tinha inscrito 137 compradores. Agora, já são 1,9 mil, alta de 1.287%.

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Fonte: Valor | Por Tarso Veloso | De Brasília

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