Demitidos da Seara buscam seus benefícios

Unidade da empresa pertencente ao Grupo Marfrig em Caxias do Sul encerrará as suas atividades no dia 19 de junho

Roberto Hunoff, de Caxias do Sul

A definição dos benefícios que serão garantidos aos 540 funcionários demitidos da unidade da Seara Alimentos de Caxias do Sul foi adiada para o dia 11 de junho, quando estará na cidade o diretor de recursos humanos da companhia para uma reunião com os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação. Na manhã desta terça-feira, os representantes sindicais conversaram com a responsável pelo setor de recursos humanos da unidade, a quem expuseram as reivindicações.
A presidente do sindicato, Arlete Schmitz, destacou a intenção do cumprimento das cláusulas a serem estabelecidas no dissídio coletivo deste ano, com ênfase para participação nos lucros, auxílio-escola, estabilidade para quem está a 24 meses da aposentadoria, para cipeiros e sindicalistas. Também é meta que o reajuste a ser acertado no próximo dissídio, com data-base em 1 de julho, seja incluído na rescisão de contrato. O sindicato pede, além do repasse integral do INPC do período de julho de 2012 a junho de 2013, ganho real de 4%. Caso não haja acerto, haverá necessidade de rescisão complementar.
A sindicalista assinala que a demissão será registrada em 19 de junho, data em que a unidade encerrará atividades. A empresa terá, na sequência, 10 dias para quitar os valores das rescisões. Arlete também confirmou que várias empresas do setor alimentício e de outras atividades industriais, como metalúrgicas, buscaram na entidade informações para propor emprego aos funcionários demitidos.
A partir de 28 de junho, representantes de empresas alimentícias estarão no sindicato encaminhando estas propostas. Às organizações de outros setores a sindicalista sugeriu que façam ações em frente à unidade da Seara. “Queremos que estes trabalhadores fiquem no ramo da alimentação”, observou.
O fechamento da unidade faz parte do plano de reestruturação pelo qual passa o Grupo Marfrig, controlador da marca. O plano prevê a descontinuidade das atividades de quatro plantas no Brasil e a realocação dos volumes em outras unidades produtivas. Em torno de 150 funcionários da unidade de frangos serão transferidos para operação de carnes de peru, também em Caxias do Sul.
Desde que abriu seu capital, em 2007, o grupo Marfrig expandiu suas operações com mais de 40 aquisições, alcançando 18 países. Esta expansão acelerada resultou em alto endividamento, que no primeiro trimestre deste ano chegou a uma dívida bruta de R$ 13 bilhões. Há duas semanas, o grupo anunciou aos investidores um plano de reestruturação, que a empresa nomeou como “plano de melhora operacional”. A ideia é fechar ou vender, até o final deste trimestre, quatro fábricas no Brasil e duas unidades na Argentina. O objetivo é reduzir o tamanho da companhia, mas sem perder receita, com o intuito de alcançar melhores margens de lucro e de resultados, além de reduzir a dívida em até R$ 2 bilhões.

Fonte: Jornal do Comércio

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