Demanda por fertilizantes dá sinal de reação

O ritmo de queda nas entregas de fertilizantes das misturadoras às revendas no país arrefeceu em junho. Levantamento divulgado ontem pela Associação Nacional de Difusão de Adubos (Anda) apontou que as vendas do insumo no mês passado totalizaram 2,7 milhões de toneladas, apenas 0,6% abaixo do volume de junho de 2014. Em maio, o segmento registrou um recuo bem mais expressivo na comparação com o mesmo mês do ano anterior, de 21,4%.

Com essa reação em junho, as entregas de fertilizantes no primeiro semestre também diminuíram a diferença em relação ao mesmo intervalo de 2014, com um total de 11,7 milhões de toneladas, baixa de 9,6%. De janeiro a maio, a redução foi mais profunda, de 12%.

Prejudicados pela menor demanda para a produção de grãos e renovação de canaviais, os fertilizantes fosfatados tiveram a maior redução nas vendas: 15,4%, para 1,56 milhão de toneladas no semestre. Do lado dos compradores, Mato Grosso seguiu como o maior destino das entregas no período, com 2,4 milhões de toneladas.

A postergação das aquisições tem sido determinada sobretudo pelo dólar em alta ante o real. Com o peso do câmbio, as importações recuaram 12,8% de janeiro a junho, para 9,6 milhões de toneladas, embora em junho tenha havido uma elevação de 8% nessas compras feitas no exterior, a 2,3 milhões de toneladas.

Favorecida pelo menor volume trazido de fora, a produção nacional de fertilizantes intermediários voltou a subir, nas contas da Anda. A alta foi de 3,2% em junho e de 5,1% nos seis primeiros meses de 2015, para 748,2 mil e 4,4 milhões de toneladas, respectivamente.

Com o atraso nas vendas, analistas já indicavam uma maior concentração das entregas no terceiro trimestre. Porém, crescem os obstáculos para o recebimento do insumo a tempo do início do plantio da safra 2015/16 de grãos, em setembro.

A FCStone previa no mês passado uma necessidade de importação mensal para julho, agosto e setembro no limite da capacidade portuária brasileira, de 2,5 milhões a 3 milhões de toneladas. Mas a consultoria revisou para cima essa projeção, para 2,7 milhões a 3,3 milhões.

Diante de uma provável sobrecarga logística, Mony Belon, analista da FCStone, prevê custos mais altos com demurrage (sobretaxa pelo tempo de espera nos portos) e frete. O clima também não tem ajudado: o porto de Paranaguá, principal entrada de fertilizantes importados, enfrenta chuvas e tem mais de um milhão de toneladas de adubos à espera de desembarque.

Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo

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