Demanda global por fertilizantes segue firme

A demanda mundial por fertilizantes deverá voltar a aumentar em 2012, ainda que menos do que no ano passado. A desaceleração prevista decorre das turbulências em países desenvolvidos que mantêm a economia global sob pressão, mas a expectativa é que as incertezas tenham efeito limitado sobre o consumo de alimentos – e, portanto, "poupem" consumo e preços de produtos agropecuários, além dos mercados de insumos empregados no campo.

Esse é o cenário com o qual trabalha a Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes (IFA, na sigla em inglês), com sede na França, que prevê incrementos este ano nos mercados das três principais fontes de nutrientes para a produção de adubos – nitrogênio (N), fosfato (P) e potássio (K). No total, a entidade estima que a demanda chegará a 181,1 milhões de toneladas de nutrientes em 2012, 2,4% mais que em 2011 (176,9 milhões), quando o aumento em relação ao ano anterior foi de 3,8%.

  

Mesmo que envolva um universo mais amplo, as previsões da entidade estão em linha com as primeiras projeções de cultivo dos principais grãos no Hemisfério Norte na safra 2012/13, cuja semeadura começará a ganhar força no mês que vem. Nos EUA, maior produtor e exportador agrícola do mundo, as primeiras pesquisas oficiais indicaram incrementos nas áreas de plantio de milho e trigo, e estabilidade para a soja. O horizonte traçado pela IFA também contempla uma demanda firme para o plantio de grãos no Hemisfério Sul, a partir de setembro.

Na equação da entidade, a demanda global por nutrientes derivados do fósforo, os chamados fosfatados, crescerá 3,2% em relação ao ano passado, para 42,1 milhões de toneladas. Para os nutrientes derivados do potássio, o incremento previsto é de 3,1%, para 30,1 milhões de toneladas, enquanto no caso dos nitrogenados a projeção indica alta de 2%, para 106,9 milhões de toneladas. Em 2011, o destaque foi o crescimento da demanda por potássio, que subiu 6,6%.

Com os investimentos deflagrados em diferentes países nos últimos anos – principalmente a partir de 2008, quando o baixo nível da oferta colaborou para os picos dos preços internacionais desses insumos -, a IFA acredita que a produção mundial de fertilizantes será suficiente para atender ou até superar o consumo. Mas isso não significa necessariamente que os preços vão recuar. Se as cotações dos produtos agropecuários de fato permanecerem em elevado patamar, as relações de troca entre elas e os insumos tende a mantê-los também valorizados.

Em 2011, conforme a IFA, a indústria global de fertilizantes operou com 83% da capacidade instalada, percentual praticamente estável em relação ao ano anterior e que poderá até aumentar em 2012. "Não vai faltar adubo no mercado", ratifica Rafael Ribeiro de Lima Filho, analista da Scot Consultoria. Ele concorda que, no curto prazo, os preços tendem a aumentar em função do fortalecimento do dólar e da maior demanda de players importantes no Hemisfério Norte como EUA, China e Índia, que devem aumentar a área cultivada. No segundo semestre, diz Lima Filho, o consumo no Hemisfério Sul, com destaque para o Brasil, deve manter o mercado aquecido.

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), que representa a indústria brasileira, não divulga previsões por abrigar empresas de capital aberto no Brasil ou no exterior, mas também não acredita em queda da demanda global. "Ninguém vai parar de comer", diz David Roquetti Filho, diretor-executivo da entidade. Para o mercado brasileiro, a RC Consultores projeta demanda estável em 2012 na comparação com 2011, quando novos recordes foram batidos. A demanda por nutrientes intermediários derivados de nitrogênio, fosfato e potássio atingiu 11,7 milhões de toneladas, enquanto as vendas de produtos finais superaram a marca de 28 milhões.

Cerca de 70% da demanda do Brasil é atendida com importações, daí a importância dos movimentos globais do mercado para os produtores do país. De acordo com a IFA, a taxa brasileira de crescimento anual nesta frente tem sido, em média, de 6%, ante 1% no resto do mundo. A China tem apresentado expansão de 3%, acima de países como os Estados Unidos (1,5%). Ainda assim, o Brasil representa apenas 6% do consumo e 2% da produção mundial de fertilizantes. Juntos, China, Índia e Estados Unidos somam mais de 60% da demanda global.

Para tentar reduzir a dependência brasileira de insumos importados, há investimentos em andamento, liderados por Vale e Petrobras, que deverão somar US$ 13 bilhões até 2016, conforme a Anda. O montante representa 15% de todo o investimento global previsto para o período, de US$ 88 bilhões, segundo a IFA. A associação estima em 250 os projetos em curso no mundo, que deverão se transformar em 183 milhões de toneladas adicionais de fertilizantes.

Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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