Dedini propõe pagar os seus credores no prazo de 12 anos

Em recuperação judicial desde o início de setembro deste ano, a Dedini Indústria de Base, maior fabricante de equipamentos para usinas sucroalcooleiras do país, entregou à Justiça sua proposta de pagamento dos credores. Em linhas gerais, o plano prevê a venda de dois ativos, o fechamento da planta de Sertãozinho (SP) e a readequação de despesas, que inclui a demissão de 500 funcionários.

A Dedini, cuja crise se confunde com a do próprio segmento de açúcar e etanol no país, tem passivo da ordem de R$ 1,8 bilhão, sendo que apenas R$ 175,2 milhões, ou menos de 10%, estão sujeitos à recuperação. O restante está distribuído entre dívidas tributárias (R$ 1,432 bilhão) e endividamento bancário com alienação fiduciária (R$ 300 milhões), em que a garantia é o próprio bem – portanto não sujeita à recuperação judicial.

O plano que será votado pelos credores em assembleia, cuja data ainda não foi marcada, prevê o pagamento do passivo (exceto o tributário) em até 12 anos. Para os credores com garantia real (classe II), que têm a receber R$ 4 milhões, e os da classe IV (micro e pequenas empresas), com R$ 1,9 milhão de crédito, a proposta é um desconto de 50% e o pagamento no segundo ano após a aprovação do plano.

Já os credores quirografários (classe III), que têm a receber R$ 50,2 milhões, também teriam que conceder desconto de 50% e aceitar receber a partir do terceiro ano, e em dez parcelas anuais.

A proposta é pagar integralmente já no primeiro ano apenas os créditos trabalhistas, de R$ 32,654 milhões. Também no primeiro ano, e com valor integral, seriam pagas as rescisões trabalhistas (após a recuperação judicial) calculadas em R$ 20 milhões.

Estão contempladas na proposta de pagamento, ainda, as dívidas tributárias e as com alienação fiduciária. Estas, segundo o plano terão as mesmas condições dos credores com garantia real – 50% de deságio e pagamento em até 12 anos. Já as tributárias serão pagas parcialmente, com desembolso anual na casa de R$ 6 milhões, chegando a R$ 72 milhões em 12 anos.

A projeção da empresa é atingir receita líquida operacional de R$ 306 milhões no primeiro ano de cumprimento do plano, com um crescimento anual de 1,5% ao ano nos anos seguintes. A Dedini, que já chegou em seu auge a faturar mais de R$ 2 bilhões, propõe a venda imediata de dois ativos: a Dedini Refratários e o imóvel onde esse ativo está instalado (Piracicaba).

Juntos, eles foram avaliados pela Siegen, consultoria independente que elaborou o plano de recuperação, em R$ 40 milhões, valor que será revertido para o pagamento das dívidas trabalhistas da Dedini, que tem assessoria jurídica do escritório Mandel Advocacia.

Além da venda dos ativos, o plano contempla uma readequação dos custos administrativos e do quadro de funcionários, com a demissão de 500 dos atuais 1,7 mil empregados. Para a readequação operacional, o plano considera ainda o fechamento da unidade industrial de Sertãozinho (SP), que está rodando com apenas de 15% a 20% de sua capacidade produtiva. Com isso, as operações da Dedini ficariam concentradas na unidade localizada em Piracicaba (SP).

Conforme a Siegen, estão sendo avaliados outras readequações operacionais, como a retirada de produtos de menor lucratividade do portfólio, assim como a terceirização de operações que não são o foco da empresa.

A crise da Dedini começou em 2008, após o fim do "boom" do etanol no Brasil, quando projetos de novas usinas foram cancelados, afetando o segmento. Além da Dedini, também entrou em recuperação uma de suas principais concorrentes, a Simisa Simioni.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor

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