CAMPO E LAVOURA – As linhas de crédito do Plano Safra em que o tempo parou

No calendário, o Plano Safra 2020/2021 está em vigor até junho do próximo ano. Na prática, algumas linhas estão temporariamente suspensas. São cinco modalidades com recursos do BNDES que, neste momento, não podem ser acessadas. Nesses casos, o tempo parou, embora o calendário agrícola continue. Estão nessa lista Inovagro, Moderargro, Pronamp Investimento, Pronaf Investimento (com juro de 4%).

Segundo informou o BNDES, a paralisação desses programas, neste momento, deve-se ao "nível de comprometimento dos recursos". A coluna apurou que teriam chegado a 80% do total, com nova métrica de cálculo, que considera saldo devedor e não mais o liberado.

Eventual remanejamento de valores passa por decisão do Ministério da Agricultura (e do Tesouro Nacional). A pasta informa que a "possibilidade de esgotamento precoce de recursos está sendo avaliada". Mas que em razão da demanda crescente em todas as linhas de investimento, por ora "não se vislumbra possibilidade de remanejamentos".

Na avaliação do ministério a alta procura por crédito "traduz o bom momento pelo qual atravessa a agricultura brasileira e as expectativas positivas dos produtores rurais para o médio e longo prazo". Em alguns programas, as contratações nos primeiros quatro meses do Plano Safra vigente superaram as de todo o anterior, mesmo com aporte, na média, 30% superior.

A situação, no entanto, também é motivo de apreensão para o setor de máquinas. O presidente do Simers, Claudio Bier, pediu à Tereza Cristina para que "não faltem verbas".

– Para não perdermos o embalo – completa Bier, em referência ao bom momento vivido pelo segmento, que acumula alta de 0,9% nas vendas no acumulado até setembro, segundo a Anfavea.

Vice-Presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port observa que essa questão, aliada à falta de chuva, está no radar:

– Já tem produtor procurando e, de fato, estamos segurando, porque estão suspensos. Em alguns casos, a poupança nos permite fazer a equalização. Mas isso não se compara ao volume que o BNDES aloca.

Para Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul, o término de recursos veio antecipado e reflete um problema estrutural, do modelo atual do crédito rural:

– Há sinais de esgotamento, porque a agricultura cresce a taxas muito superiores.

Além disso, há o problema de superfície: os preços valorizados dos produtos agrícolas estimulam a demanda maior por investimentos.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *