Decisão considerou pressão de entidades e cenário

A incerteza do cenário pesou mais do que a vontade de realizar a Expointer a qualquer custo.

"Nossos compradores não viriam do interior do Estado, saindo de suas fazendas e lavouras para comprar máquinas, com medo de vir até a cidade pegar o vírus e levá- lo para suas propriedades. Lá nas lavouras ainda não chegou, são muito raros os casos", destacou Claudio Bier, presidente do Simers.

"Nós tivemos uma reunião com o secretário e chegamos à conclusão que todos nós tínhamos vontade que a Expointer acontecesse, mas em função das dificuldades da Covid-19, chegamos à conclusão que ela seria uma Expointer pífia Em função disso e do consenso que todos os copromotores chegaram juntamente com o secretário da agricultura, achamos por bem que a Expointer não saia esse ano." Gedeão Pereira, presidente da Farsul, ressaltou que "não foi o governo que mudou (de opinião), nós é que pressionamos e o governo fez o que a maioria achou". Conforme o dirigente, mesmo com a mudança de data, faltava segurança.

"Enquanto não tivermos uma vacina não vamos ter tranquilidade para reunir pessoas. E fazer uma Expointer sem gente então é melhor não fazer, ainda mais com ela comemorando 50 anos do parque neste ano." Segundo Gedeão, "é uma responsabilidade muito grande da nossa parte, que representamos o setor mais pujante da economia nacional. Temos o agro funcionando bem, aí vamos fazer um aglomerado de pessoas e de lá irradiarmos o problema? Por que nós vamos criar essa situação de risco?

Não temos esse direito", complementa o dirigente da Farsul.

Para a agricultura familiar, a decisão é considerada correta. "Tivemos uma reunião e essa foi a definição das entidades, e isso é prudente.

Não tem espaço hoje para mantermos uma feira que é grande, nossa vitrine da agricultura familiar.

Para estar nela tem que se preparar, não tem como fazer de última hora", destacou Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.

Para o prefeito de Esteio, Leonardo Pascoal, em termos de arrecadação, a não realização do evento não traz um impacto significativo nas finanças do município, já que a prefeitura também tem custos elevados com o reforço especialmente na prestação de serviços, como de limpeza, fiscalizações e controles de trânsito, explica Pascoal. Por outro lado, deixam de ganhar a hotelaria, o comércio e os restaurantes.

"Claro que a feira traz um ganho, mas nada que irá comprometa as finanças municipais com a não realização, que decidida por unanimidade". Segundo Pascoal, a comunidade de Esteio estava temerosa com realização da Expointer.

"Não tínhamos outra alternativa.

Não existem protocolos suficientes para um evento do porte da Expointer", completa Pascoal.

Presidente da Federação Brasileira dos Criadores de Animais de Raça (Febrac) Leonardo Lamachia, acrescenta que a área de animais, de qualquer forma, deverá realizar, nas pistas do parque, algumas competições de raça e até remates.

A Febrac estuda agora o formato.

"A Expointer em si, pela sua grandeza e restrições de público, acabaria descaracterizada. A decisão de cancelar foi unânime. Mas as associações de animais de raça poderão julgar e realizar provas."

Fonte: Jornal do Comércio