Debate Correio Rural: Expodireto é porta de desenvolvimento

Facilitar o acesso do produtor à inovação e ao crédito é a rota para o agronegócio seguir avançando

Debate ocorreu nesta terça-feira na Expodireto

Debate ocorreu nesta terça-feira na Expodireto | Foto: Guilherme Almeida

Nos últimos 20 anos, o desempenho do agronegócio deu um salto no Brasil e no Rio Grande do Sul. Grande parte da inovação tecnológica que chega ao campo é apresentada anualmente na Expodireto Cotrijal, neste ano em sua 20ª edição. O aumento na produção de milho e soja, anunciado ontem pela Emater, deve-se a essa adoção de novas ferramentas no campo. Os desafios da adesão à tecnologia no campo pautaram o primeiro debate do ciclo Correio do Povo Rural desta Expodireto, nesta terça-feira, na Casa do Correio do Povo/Grupo Record RS no parque. Em pauta, os avanços obtidos por meio da tecnologia, possíveis mudanças no crédito rural e o surgimento de novas ferramentas de auxílio ao produtor.

Se por um lado a agricultura de precisão encontra-se evoluída, ainda há muito espaço para a utilização da ciência da computação. Transformar o grande volume de dados em informações úteis para a tomada de decisão é o grande desafio apontado pelo professor Willingthon Pavan, do curso de Ciência da Computação da Universidade de Passo Fundo (UPF). “Hoje, por exemplo, nós colhemos muitas informações no campo, mas precisamos traduzir isso em informações que o agricultor possa utilizar”, constatou. Softwares que auxiliam o homem do campo na redução de custos e na correta aplicação de produtos químicos já estão disponíveis.

Para o assessor da presidência do Sistema Farsul Luis Fernando Cavalheiro Pires, um dos entraves na adoção de tecnologia no campo é o endividamento. Ele ressaltou que os sucessivos recordes de produção não revertem em rentabilidade ao produtor. Por isso, lembra que o Sistema Farsul e Senar/RS têm acentuado a questão da gestão das propriedades. “É necessário investir naquilo que realmente se precisa, para evitar que o produtor fique com endividamentos que, a cada ano que passa, mesmo com juros baratos, possam causar algum problema”, ressaltou.

O presidente da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão, Márcio Albuquerque, considera que um dos principais desafios é a formação de mão de obra para encarar a tecnologia como ferramenta de gestão e auxiliar para tomar decisões. Isso permite ao agricultor produzir mais e melhor, controlando seus custos. Entre as tecnologias que podem chegar ao campo nos próximos anos, Albuquerque cita a robotização. “Temos que trabalhar para não afastar os produtores na ponta do conhecimento dos produtores no grande grupo que vem adotando gradualmente a tecnologia”, recomenda.

Um dos desafios que têm pautado as discussões na 20ª Expodireto Cotrijal refere-se à possibilidade de mudanças no crédito rural. O vice-presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, ressaltou que há uma discussão sobre a forma do subsídio que será direcionado ao setor rural, enquanto o BNDES encontra-se em um momento de escassez de recursos. Segundo o dirigente, o Sicredi tem uma dependência de 40% do banco nacional, mas já existem fontes de recursos próprias. Por outro lado, a tecnologia também tem auxiliado a contratação de crédito. No primeiro dia da 20ª Expodireto, o Sicredi comemorou um feito histórico, que foi a contratação de uma operação em um período de apenas cinco horas.

O presidente do Sistema Ocergs/Sescoop-RS, Vergílio Perius, destacou o papel da Expodireto como uma “universidade do saber do campo”. “Resumo estes 20 anos como uma gradativa escolarização de um processo cultural de aprendizagem do campo, em que foi possível ao produtor evoluir porque do seu lado tinha uma cooperativa que o protegia, trazendo a indústria com modernizações e havendo o comércio junto”, destacou. Sobre o desafio do crédito, Perius destacou que cabe ao setor fazer o “dever de casa” e estimular os investimentos coletivos, que é um dos princípios do cooperativismo. 

Por Danton Júnior

Fonte : Correio do Povo