Debate Correio do Povo Rural discute os prós e contras da retirada da vacina da aftosa

Rio Grande do Sul se prepara para receber o sinal verde do governo federal para o fim da imunização Vacinação contra aftosa pautou a última edição do ciclo Debates Correio do Povo Rural nesta edição da Expointer

Vacinação contra aftosa pautou a última edição do ciclo Debates Correio do Povo Rural nesta edição da Expointer | Foto: Alina Souza

A vacinação contra febre aftosa é um dos principais assuntos desta Expointer. Quase 20 anos após os últimos focos da doença, o Estado prepara-se para suspender a vacinação do rebanho bovino e bubalino.

Na próxima segunda-feira tem início a auditoria do Ministério da Agricultura que irá avaliar o serviço veterinário estadual. O assunto, que divide opiniões, será tema de uma audiência pública que ocorre nesta sexta-feira, na Expointer. O assunto pautou a última edição do ciclo Debates Correio do Povo Rural nesta edição da feira, na Casa do CP no Parque de Exposições Assis Brasil.

Veterinários do serviço oficial alegam que o plano de retirada da vacina vem sendo discutido ao longo de anos. A chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Rosane Collares, informou que há dois anos o Rio Grande do Sul implementa medidas de mitigação de risco que possibilitam conhecer fragilidades e possíveis pontos de ingresso e de dispersão. Ela deu detalhes de como será a auditoria do Mapa.

Os auditores irão permanecer dois dias na unidade central, em Porto Alegre, para conhecer todos os processos do serviço, e após irão partir para dois roteiros: um na região da Serra, indo até a divisa com Santa Catarina, e outro na região da Fronteira. O resultado vai dizer se o Estado está habilitado a pleitear a retirada da vacina. A última auditoria foi realizada em 2017.

João Pereira Júnior, diretor do Sindicato dos Médicos Veterinários do Rio Grande do Sul (Simvet/RS), destacou a importância de evolução do status sanitário no país, que conta com apenas um estado – Santa Catarina – sem vacinação. Por outro lado, chamou a atenção para a preocupação com a fiscalização adequada nas fronteiras.

A sugestão é de que seja reforçada as arcerias com as polícias rodoviárias e produtores rurais. O dirigente relatou que veterinários que atuam junto a associações de criadores têm chamado a atenção para o impacto da retirada da vacinação na venda de reprodutores para outros estados do país. “O grande negócio é a retirada da vacinação no Brasil como um todo”, defendeu.

O receio que muitos pecuaristas têm com a retirada da vacina foi exposto por Reynaldo Titoff Salvador, que representou a Conexão Delta G, que vê com reservas o adiantamento da suspensão. Na avaliação dele, ainda há etapas a cumprir. "Temos hoje o agronegócio como motor da economia nacional. Podemos perder isso e voltar à estaca zero", observou.

O pecuarista destacou a necessidade de estar atento à Venezuela, único país sul-americano que não teve a doença erradicada. Sobre perspectivas de mercados, Salvador ressaltou que o Uruguai, que também vacina o seu rebanho, consegue exportar carne bovina para o Japão, considerado um mercado mais exigente.

Vice-presidente da Associação Brasileira de Angus, Caio Vianna disse ter a convicção de que o RS conta com condições para retirar a vacina contra febre aftosa, pois segundo ele tanto o Mapa quanto a Secretaria de Agricultura têm dimensionado a questão do risco e estão se debruçando sobre o tema de forma técnica. “Tendo em vista que esta é uma decisão que o Brasil e os demais estados irão fazer, entendemos que o Rio Grande do Sul precisa acompanhar, até para que não fiquemos isolados do país”, afirmou. Destaca que o risco de introdução do vírus é permanente, e existe tanto com vacinação quanto sem.

O auditor fiscal agropecuário Gilson Evangelista de Souza, do Ministério da Agricultura, disse que não motivos para não se parar de vacinar o rebanho após a próxima etapa de imunização, que ocorre em novembro. Uma das alegações, segundo ele, é de que o risco com vacinação acaba sendo ainda maior, devido à “sensação de que estamos protegidos”. Uma das preocupações do setor agropecuário diz respeito à capacidade de investimentos na defesa animal, já que o poder público sofre com a falta de recursos. Conforme Souza, a posição do Mapa é de que não haverá contingenciamento de recursos.

Por Danton Júnior

Fonte : Correio do Povo