De volta ao ponto de partida

A virada do semestre representa para a cadeia produtiva do arroz o início de um novo ciclo. Historicamente as exportações se reduzem, os negócios passam a se concentrar no mercado nacional e, em setembro, começa a semea-dura dos campos para a nova safra. É tempo de analisar desafios, projetar expectativas, estudar cenários e prospectar mercados.

Para a safra 2020-2021 já há pelo menos um mantra sendo entoado entre as lideranças: não aumentar a área plantada. A ampliação das lavouras para além do um milhão de hectares é apontada como um risco desnecessário, capaz de se refletir numa desvalorização do produto. "É um bom momento, mas é preciso segurar a euforia e não aumentar a área semeada para ajustar a oferta", declara o presidente da Federarroz, Alexandre Velho.

Produtores tradicionais como Rechsteiner se somam na defesa da necessidade de conter as plan-tadeiras para garantir a continuidade de uma conjuntura positiva, pois acreditam que a rentabilidade está diretamente ligada ao mercado conquistado, e o aumento da superfície de lavouras só deve acontecer quando a procura pelo arroz gaúcho tiver novo impulso.

Corretores e consultores acostumados às idas e vindas da cadeia, todavia, revelam acreditar que dificilmente se plantará menos de um milhão de hectares no próximo período. O presidente da Abiap e consultor de negócios internacionais vai na mesma linha. "O produtor teve uma produtividade que compensou a diminuição da área e agora está mais capitalizado, a tendência é de haver um aumento para além de 1,1 milhão de hectares", prevê Amaral Júnior.

A pergunta sobre qual rumo os agricultores irão tomar deverá ser respondida até o fim de agosto, quando o Irga deve lançar o relatório do índice de semeadura. Para o coordenador da regional zona Sul do instituto, André Matos, se houver aumento, não será significativo. "Não vejo uma mudança de mercado capaz de influenciar um incremento da área plantada e acredito que o pessoal aprendeu com os erros do passado", declara o agrônomo.

Fonte: Jornal do Comércio

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