Débitos somam R$ 700 mi

Fonte: A GAZETA – MT

Produtores rurais de Mato Grosso estarão representados dentro do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para redefinição das dívidas agrícolas. Ao todo, 2 mil empresários do agronegócio no Estado devem cerca de R$ 700 milhões em virtude de empréstimos contraídos entre os anos de 2004 e 2008, principalmente por meio do Finame, linha de crédito do Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para compra de máquinas e equipamentos.

Participação foi conquistada após pedido dos produtores ao governador Silval Barbosa (PMDB) para intervenção junto ao governo federal. Durante reunião realizada nesta terça-feira (26), representantes da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), da bancada federal e da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) pediram ao governador e ao secretário-chefe da Casa Civil, José Lacerda, que retomassem as discussões sobre a renegociação das dívidas dos produtores.

De acordo com o diretor da Aprosoja, Carlos Henrique Fávaro, em fevereiro o então chefe da Casa Civil, Éder Moraes, havia assumido o compromisso, mas com a ida dele para a Agecopa, as conversas foram paralisadas e a bancada federal ficou enfraquecida para rediscutir o endividamento. Agora, segundo Fávaro, o governador assumiu a frente das discussões e no mesmo momento conseguiu junto ao Mapa um estudo para apresentar um projeto de renegociação.

Rui Prado, presidente da Famato, explica que existe uma equipe técnica que estudou as formas para liquidar as dívidas passadas. Segundo ele, a entidade montou uma proposta que condiz com a realidade do segmento. "Vamos propor o pagamento do valor integral das dívidas e a renegociação dos juros que se prolongam desde então, com renegociação entre governo e bancos".

Segundo o deputado federal Neri Geller (PP), que também participou do encontro, em nenhum momento está se pedindo o perdão das dívidas, mas sim um programa de equalização para que as parcelas fiquem de acordo com a capacidade de pagamento dos produtores. Para isso haverá a participação, além do Mapa, do Ministério da Fazenda e também do BNDES para traçar a melhor alternativa para o segmento produtivo.

Entre os fatores que provocaram o endividamento do setor, o presidente do Sindicato Rural de Lucas dos Rio Verde (a 354 km da Capital), Júlio Cintak, destaca o preço, o câmbio, as chuvas e ferrugem asiática que somaram em uma crise que acometeu o setor entre 2004 e 2006, quando a renda dos produtores ficou prejudicada.

Com o atraso dos pagamentos, além de não conseguir contratar crédito público, muitos produtores estão perdendo suas máquinas para os bancos. "Não queremos perdão de dívidas, só queremos evitar que os médios produtores tenham que deixar a atividade por não ter condições para produzir", afirma Rui Prado ao ressaltar que os pequenos podem contar com os recursos do Programa de AGRICULTURA FAMILIAR(PRONAF) e os grandes conseguiram se recuperar, enquanto os médios não têm a quem recorrer e acabam na mão de trandings.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *